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Livre-arbítrio? Brian Greene e Marcelo Gleiser falam sobre a decisão de mudar o curso das coisas

Dois grandes físicos da contemporaneidade, o norte-americano Brian Greene e o brasileiro Marcelo Gleiser, têm vasto conhecimento em cosmologia. Pesquisadores dos maiores mistérios do universo, Gleiser e Greene dão suas opiniões sobre o livre-arbítrio, uma questão que, a partir do avanço da neurociência, tem tomado amplo espaço do pensamento contemporâneo.

Marcelo Gleiser: "Os experimentos estão limitados a decisões longe da verdadeira complexidade das escolhas que fazemos em nossas vidas, aquelas que envolvem muito pensamento cíclico, confusão, ponderação, conversa com outras pessoas e tempo para chegar a uma conclusão. Existe um grande abismo entre a complexidade cognitiva e apertar botões em um laboratório para decidir com quem você vai casar, qual profissão seguirá ou se você cometerá um assassinato (colocando desordens mentais de lado).

Quando se trata das decisões que tomamos na vida, existe um espectro de complexidade e isso se reflete no livre-arbítrio. Alguns de fato acontecem antes da consciência ter conhecimento e outros não. Para mim, parece que o livre-arbítrio não é simplesmente "preto e branco" ou "sim e não", mas uma questão que abraça completamente a complexidade do que significa ser humano."

Brian Greene: "Quando olhamos para as leis da física e tentamos encontrar o livre-arbítrio, nós não o vemos. Quando olhamos para as leis da física, nós vemos leis que são deterministas, leis pelas quais, se você especificar como as coisas estão agora, as leis, sem ambiguidade, dirão como você evoluirá no futuro. Na teoria de Newton, nós definitivamente podemos dizer onde você estaria e o que você estaria fazendo, usando as leis de Newton.

Na mecânica quântica, isso muda um pouco. O máximo que podemos prever são probabilidades sobre o que você – ou um elétron – estarão fazendo uma coisa ou outra. Mas, as leis não têm abertura para o livre-arbítrio assumir e guiar como as coisas evoluirão. Até onde podemos dizer, baseado em nosso conhecimento atual, o livre-arbítrio é um ótimo atributo para comprarmos, mas é provavelmente uma ilusão."