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Nativos digitais podem estar perdendo capacidades cerebrais

"Quem sou eu e como posso me desenvolver como ser humano? - Essas questões são a fronteira da atualidade. A pressão dos sentidos domina o mundo contemporâneo. Quanto mais excitante a experiência, mais dopamina. São mecanismos doentes. Em vez de sermos vítimas da máquina no futuro, devemos nos questionar desde já. A tecnologia é inevitável, mas não a supremacia da tecnologia sobre a humanidade." - Susan Greenfield, professora e neurocientista britânica

Susan Greenfield esteve no Fronteiras do Pensamento para fazer um alerta: a nova geração de "nativos digitais" estaria perdendo capacidades cerebrais. É provado que o QI vem aumentando com o passar das décadas, mas Greenfield lembra que o QI é a forma de medir a inteligência lógica e que passa reto pelas inteligências sensíveis. Esta é a preocupação de Greenfield: "as crianças que estão crescendo no ambiente do ciberespaço não vão aprender como olhar alguém nos olhos, não vão aprender a interpretar tons de voz ou a linguagem corporal."

Segundo Susan, há três transformações fundamentais no modo de perceber e interagir o mundo que estão "moldando" o cérebro:
1 - redes sociais modificam a identidade e os relacionamentos
2 - videogames modificam a atenção, a agressividade e a dependência
3 - programas de busca modificam o modo de diferenciar informação de conhecimento

Novos estudos apontaram que videogames aumentam áreas do cérebro que liberam dopamina. A dopamina é um neurotransmissor (substâncias química produzida pelos neurônios) responsável pela sensação de prazer e de motivação. Por isso, a dopamina é frequentemente associada aos usuários de drogas – por ser viciante. Existem pesquisas que correlacionam o aumento de doenças de falta de atenção ao uso extremado de computadores e videogames. Isso se acentua em casos extremos, nos quais as pessoas gastam até 10h por dia em frente à tela. Existe uma forte correlação com anormalidades em exames cerebrais, como problemas de foco, hiperatividade e estresse.

Para Susan, mais do que proibir ou restringir o uso da tela, é necessário estimular a vida "real". A interação deve se dar tanto na tela quanto fora dela. É preciso que os pais estimulem as crianças, criem mundos divertidos na realidade também: "Estamos diante de uma mudança mental global. Precisamos de estudos variados e de softwares que estimulem o foco. Precisamos pensar nos ambientes das próximas gerações. Não proibir o uso da web, mas criar ambientes que as tirem da tela. Seria uma grande ironia se a tecnologia que possibilita uma vida mais longa nos privasse de uma individualidade mais rica."