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Paradoxos do progresso: dados para ser otimista

Os dados indicam que a humanidade vive o melhor momento da sua história, e, no entanto, a maioria acredita que o mundo está piorando. Há uma ampla percepção de que o mundo retrocede, de que nos dirigimos para uma espécie de caos. Segundo um levantamento do Instituto Motivaction, 87% da população mundial acredita que, nos últimos 20 anos, a pobreza global permaneceu igual ou se agravou. O paradoxo é que os dados deixam claro que essa é uma ideia falsa. O mundo melhorou ao invés de piorar.

Não significa, que fique bem claro, que o mundo seja um lugar perfeito. Nem sequer um bom lugar. Padecemos de injustiças, guerras, fome e violência. Uma minoria da população detém a maior parte da riqueza, enquanto 760 milhões – os 11% mais pobres – sobrevivem com menos de dois dólares (6,50 reais) por dia. A pobreza é cotidiana. Mas, de todos os cenários globais que já conhecemos (não que imaginamos ou desejamos, mas que conhecemos), este é o melhor.

O cientista cognitivo Steven Pinker, professor da universidade de Harvard, é um dos autores que mais forneceram dados em defesa dessa tese. Seu livro Os Anjos Bons da Nossa Natureza busca demonstrar que vivemos na época mais pacífica e próspera da história. “As pessoas, em todos os cantos do mundo, estão mais ricas, gozam de mais saúde, são mais livres, têm mais educação, estão mais pacíficas e desfrutam de uma maior igualdade do que nunca antes”, diz Pinker ao El País. “Todas as estatísticas indicam que melhoramos. Em geral, a humanidade se encontra melhor que nunca.”

progresso johan norberg

O escritor e historiador sueco Johan Norberg é outra das vozes destacadas dessa corrente de pensamento. Defende, em seu livro Progresso: dez razões para acreditar no futuro, que o capitalismo é o sistema que mais fez o ser humano progredir, e que vivemos no melhor momento da nossa história. “O mundo está melhorando rapidamente. Na verdade, nunca antes o mundo melhorou tão rápido. A cada minuto desta conversa, cem pessoas saem da pobreza”, argumenta.

Os dados respaldam essas afirmações.

Mostram-nos, por exemplo, que os adultos desfrutam de vidas mais longas, e que a mortalidade infantil caiu a um quarto do que era há algumas décadas. Em 1960, segundo a Organização Mundial da Saúde e o Banco Mundial, de cada cinco crianças nascidas vivas uma morria antes de completar cinco anos; agora, 19 de cada 20 sobrevivem.

(Via El País)


Saiba mais sobre Os anjos bons da nossa natureza, em vídeo com o psicólogo canadense Paul Bloom, que aborda a pesquisa apresentada por Steven Pinker na obra. Bloom discute o decréscimo dos níveis de violência com o passar dos séculos e lembra como, em algumas décadas, o olhar da sociedade sobre o direitos humanos mudou profunda e positivamente.