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Camille Paglia: “O Brasil é um mundo à parte”.

Crédito: Greg Salibian
Crédito: Greg Salibian

Camille Paglia é uma das pensadoras mais influentes da atualidade e estará no Fronteiras Braskem do Pensamento 2017, em Salvador em agosto. Entretanto, sua visão de Brasil vai muito além das suas visitas para realizar conferências, pois ela vê a cultura brasileira como única.

Camille Paglia é conferencista da série especial do Fronteiras em Salvador. Garanta já sua participação!

Confira o trecho da entrevista com o jornalista Tyler Cowen em que Paglia fala sobre o Brasil, sua natureza, seu povo, sua religiosidade e sua política:

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Quantas vezes você já esteve no Brasil?

Camille Paglia: Nove ou dez.

 

O que há de diferente na cultura brasileira em relação a dos EUA?

CP: O Brasil é uma mistura de culturas e etnias. E, além disso, os brasileiros entendem o meu trabalho desde que comecei a publicar. Porque o que eles entenderam é o que falo do artificio, da arte – devido ao carnaval para eles, e se fantasiar, usar máscaras e aquela exuberância barroca, o sincretismo entre cristianismo e os cultos Yoruba do oeste da África em Salvador.

Eles entenderam a minha visão de arte e beleza – e a beleza é um princípio humano incrivelmente importante, apesar de outrora ter sido atacada por colegas feministas.

Os brasileiros também entendem a natureza, a grandeza da natureza, o poder da natureza. É algo muito maior.

 

Como as Cataratas de Iguaçu, certo?

CP: Sim, ao contrário desses argumentos tolos como “Oh, a mudança de clima está causando o fim do mundo”. Meu Deus. Quem fala assim não entende a grandeza e o poder da natureza como os brasileiros. Imaginar que a gente conseguiria mudar isso tudo é um completo absurdo.

 

O que você pensa da teoria da modernidade que coloca o Brasil como parte de uma curva, e os EUA em outra parte, mais decadente, desta curva? Qual a diferença? Os economistas chamam de equilíbrio estrutural, se é que você ousaria invocar tal coisa?

CP: O Brasil é um mundo à parte. Não participou muito nas grandes guerras mundiais. Não possui uma enorme superestrutura militarista. Eles não possuem uma visão messiânica de si mesmos politicamente. A política deles é sempre caos e [risos] drama. É como uma grande ópera. O Brasil é como se fosse outro planeta, realmente.