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Alberto Manguel ganha o Prêmio Alfonso Reyes 2017

Foto: Arquivo
Foto: Arquivo

Já amplamente premiado por suas contribuições no cenário da literatura e das humanidades, Alberto Manguel recebeu recentemente o Prêmio Alfonso Reyes 2017, oferecido por entidades governamentais e acadêmicas do México. A premiação leva o nome do prestigiado escritor e diplomata mexicano, cuja obra tem alguns traços em comum com a de Manguel, como o teor universalista, por exemplo. O primeiro escritor a ganhar o Prêmio Alfonso Reyes, em 1973, foi o conterrâneo de Manguel, Jorge Luis Borges. Além de compartilharem a mesma nacionalidade, os dois tiveram uma relação direta: na adolescência, Manguel costumava ler em voz alta para Borges, que já estava praticamente cego. Assim, sua obra tornou-se uma forte referência à literatura de Borges.

Novelista, ensaísta, dramaturgo, jornalista e tradutor, Alberto Manguel soube agregar diversos gêneros literários em suas mais de 40 obras publicadas. Sua ampla compreensão do mundo, seu profundo envolvimento com a literatura e sua capacidade de “ser” outros através da leitura e da escrita fazem de Manguel um escritor de alcance internacional e multicultural. Autor de livros como Dicionário de lugares imaginários, Uma história da leitura, A biblioteca à noite e A cidade das palavras – as histórias que contamos para saber quem somos, o escritor é doutor honoris causa por diversas universidades e recebeu honrarias como o título de Oficial da Ordem das Artes e das Letras, do Ministério da Cultura da França, e recentemente, o Prêmio Internacional Formentor.

Durante a cerimônia de premiação, realizada no Instituto Nacional de Belas Artes do México, o escritor declarou se sentir honrado e até mesmo incrédulo com o reconhecimento. “Parece que em algum momento vão me dizer que houve um engano e que o prêmio não é para mim, e sim para outra pessoa mais merecedora”, afirmou. Em sua fala, ele fez referências tanto a Jorge Luis Borges como ao escritor mexicano Alfonso Reyes. "Comecei a ler Alfonso Reyes graças a Borges. Reyes dizia que não fazia distinção entre a vida e a literatura: a mim ocorre o mesmo. Não porque eu confunda as alegrias e as misérias cotidianas com um conto, mas sim porque lendo encontro palavras para meus sentimentos, e para torná-los suportáveis”, disse Manguel.

O reconhecimento já foi oferecido em outros anos a nomes como André Malraux, Adolfo BIoy Casares, Harold Blum, Mario Vargas Llosa, Octavio Paz, Carlos Fuentes, José Emilio Pacheco, Ida Vitale, George Steiner e Alejo Carpentier.

(Fonte: La Nación)