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Amós Oz, fanatismo, política, literatura e a curiosidade como virtude moral

Amós Oz no Fronteiras POA. Foto: Luiz Munhoz
Amós Oz no Fronteiras POA. Foto: Luiz Munhoz

Em uma exposição, ao mesmo tempo, sensível, repleta de humor e contundente, o escritor israelense Amós Oz protagonizou a terceira conferência da temporada 2017 do Fronteiras do Pensamento.

Intercalando assuntos como o conflito entre judeus israelenses e árabes palestinos, fanatismo no mundo e criação literária, ele trouxe para a sua fala a tônica reflexiva e lírica de seus ensaios. Segundo ele, os fanáticos estão aumentando no mundo porque as pessoas – numa época de individualismo extremo – estão buscando apenas as respostas simplistas, mesmo que as perguntas estejam cada vez mais complexas.

Este é caso do conflito entre Israel e Palestina, que muitos classificam como fácil e passível de uma resolução rápida, mas que, para Oz, é a síntese da tragédia, com um embate entre o certo e o certo. “Ambos estão certos. Porque parece mais um conflito de injustiça contra injustiça e justiça contra justiça. Muitas pessoas fora de Israel não conseguem entender e acham que é preciso tomar lados. E, inclusive, intelectuais do Ocidente que detestam os filmes de Hollywood. Quando se fala do Oriente Médio, eles querem saber quem é o vilão e quem é o mocinho”, afirmou.

Falando sobre literatura, Oz ressaltou que não escreve romances para transmitir mensagens políticas. Em seus livros, muitos personagens têm pensamentos e posicionamentos distintos dos seus. Como, por exemplo, Abravanel do livro Judas, que acredita em amor universal. “Eu acho que amor é um commoditie muito raro. Acredito que um ser humano consegue amar cinco pessoas. Dez. Talvez quinze. Depois disso, não é amor. Pode ser empatia, compaixão, amizade. Mas não é amor”, sintetizou.

Oz também acredita que a curiosidade deveria ser considerada como uma virtude moral. Assim como ela é a força propulsora de sua literatura – fazendo com que se coloque sempre no lugar do outro e enxergando novas perspectivas – ela faz com que o ser humano torne-se melhor. “Eu acredito também na bênção da curiosidade em tempos de conflitos políticos, religiosos, ideológicos e pessoais. Não porque a curiosidade possa sarar tudo, mas porque a curiosidade, não menos do que o humor, é um antídoto poderoso ao fanatismo”, finalizou.