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Como viver juntos? Fronteiras do Pensamento traz ao Brasil pensadores internacionais para debater a urgência da cooperação

Conheça a programação oficial do Fronteiras do Pensamento 2015 em Porto Alegre e São Paulo. Ao longo do ano, oito pensadores internacionais vêm Brasil apresentar novas ideias e práticas para criar uma sociedade mais cooperativa e tolerante.

Nossa trajetória será marcada pelo aumento da população global e a consolidação das megacidades. Em quinze anos, o número de habitantes do planeta terá ultrapassado a marca de 8 bilhões de pessoas, 60% das quais vivendo em centros urbanos. No futuro, os historiadores talvez encontrem nestes dados a grande representação do nosso tempo. Uma era em que a população da Terra chega a seu limite, com nosso desenvolvimento marcado pelo crescimento urbano desordenado e mais de 1,2 bilhão de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza.

A Organização das Nações Unidas fixou como uma de suas metas para o desenvolvimento sustentável a erradicação da miséria no plano global até o ano de 2030. No entanto, ainda vivenciamos um paradoxo em nosso cotidiano: esforços governamentais e sociais afirmam direitos e reduzem a pobreza, mas vemos o crescimento da desigualdade social e econômica em muitos países. Esta é uma condição da nossa época, em boa medida produzida pelo surto mundial de progresso sem precedentes nas últimas três décadas.

Neste contexto, viver juntos significa agir com responsabilidade. O objetivo não é alcançar a homogeneização cultural, tampouco a neutralidade de ações e reflexões. Viver juntos representa aprender a conviver com a diferença em termos raciais, étnicos, religiosos, políticos ou econômicos. Este é o desafio mais urgente da atualidade. Um processo para a exigência de direitos, a recusa do ressentimento social e o cultivo de uma ética altruísta. Muitos podem considerar isso uma utopia, mas há sinais de que começamos a caminhar para esta direção.

Viver juntos é nosso destino. Seja no espaço real das cidades ou no espaço digital criado pelos avanços tecnológicos. Nas sociedades de rede, vivemos simplesmente conectados uns aos outros. Esta nova forma efêmera e fluida de sociabilidade torna a vida, a cada dia, um aprendizado de tolerância e cooperação, permitindo que a sociedade moderna utilize cada vez mais a tecnologia, com suas máquinas e canais de comunicação, para gerar mais ideias e mais compreensão.

Mas, mesmo nas sociedades abertas, o viver juntos pode terminar em uma quarta-feira triste, como a tarde de 7 de janeiro, no centro de Paris. Um episódio no qual o direito mais elementar do humor e da crítica se tornou um pesadelo. Viver juntos supõe, necessariamente, o choque cultural. O choque de intransigências que o tempo irá diluir, assim esperamos. Há, neste século, a demanda por um novo iluminismo, que derrote o fundamentalismo em todas as suas vertentes. Um verdadeiro desafio para a cultura e para todos os que apostam no pensamento e abominam a intolerância.