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Curador do Fronteiras, Fernando Schuler recebe Troféu Liberdade de Imprensa

Fernando Schüler é o curador do Fronteiras do Pensamento
Fernando Schüler é o curador do Fronteiras do Pensamento

Fernando Schuler, curador do Fronteiras do Pensamento, recebe o Troféu Liberdade de Imprensa 2017 nesta quarta-feira (03). O prêmio é concedido a quatro brasileiros "que desempenham um papel importante na defesa da liberdade de imprensa no país" (neste ano, Caco Barcellos, Ayres Britto, Schuler e Miro Teixeira).

Filho de um professor de História e Teologia, o cientista político focou seus estudos na liberdade de expressão e na democracia desde cedo. Inspirado por autores como o italiano Norberto Bobbio e o francês Alexis de Tocqueville, Schuler sempre se questionou sobre como construir uma civilização capaz de preservar o pluralismo de ideias.

A resposta, ao que tudo indica, aponta para a liberdade de expressão como peça fundamental. “Uma democracia terá seus descontentes, mas esse é o custo da liberdade: ela incomoda", diz. “A vantagem é que aqueles que se sentem prejudicados podem expressar sua visão."

Doutor em Filosofia e Mestre em Ciências Políticas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Schuler é professor do Insper e titular da Cátedra Insper e Palavra Aberta, voltada à reflexão sobre a liberdade de expressão e de imprensa.

Na visão dele, um dos maiores desafios atuais, ironicamente, está no excesso de informação circulando. “Por um lado, isso é muito positivo, pois as pessoas se sentem cada vez mais à vontade e livres para se expressar", explica. “No entanto, isso provoca uma explosão de pós-verdade e abre espaço para uma permanente instabilidade e intolerância." Afinal, informação é poder e precisa ser tratada com responsabilidade.

É aí, opina Schuler, que entra a mídia profissional. Apesar dos desafios principalmente econômicos que o setor tem enfrentado nos últimos anos, Schuler enxerga o jornalismo brasileiro com muito otimismo. “O país tem uma mídia pluralista, é uma das nossas instituições e há grande diversidade de opiniões", diz. Em tempos nos quais qualquer pessoa pode se tornar emissora de informação, a imprensa tradicional adquire maior relevância, pois passa a desempenhar o importante papel de filtrar e fazer a curadoria do conteúdo.

Para isso, no entanto, é essencial preservar um pluralismo complexo, partindo de hipóteses que podem ser derrubadas e mantendo sempre uma neutralidade no ponto de partida de investigações. “Não se pode cair em maniqueísmo e acreditar que tudo tem só dois lados", opina.

A mídia tradicional não pode competir com a avalanche de informação que circula a todo segundo nas redes sociais, mas pode, e deve, se consolidar como uma fonte com credibilidade e qualidade — e ter liberdade para fazer isso sem ceder a pressões do mundo online ou interesses de terceiros.

Troféu do Portal e Revista IMPRENSA

Há nove anos, o Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia reúne profissionais da área e o público em geral para debater sobre o papel da imprensa na sociedade e os riscos de interferências na liberdade de atuação dos jornalistas. Na edição deste ano, que será realizada no auditório da OAB em Brasília no dia 3 de maio, será lançado o Troféu Liberdade de Imprensa, concedido a quatro brasileiros que desempenham um papel importante na defesa da liberdade de imprensa no país.

O troféu será concedido a um jornalista, um legislador, um magistrado e um acadêmico. Nesta edição de lançamento com apoio da Souza Cruz, os homenageados são Caco Barcellos, jornalista e criador do programa Profissão Repórter; Miro Teixeira, deputado federal pelo Rio de Janeiro; Carlos Ayres Britto, advogado e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e relator do julgamento de inconstitucionalidade da Lei de Imprensa; e Fernando Schuler, Doutor em Filosofia e titular da Cátedra Insper e Palavra Aberta.

(via Portal Imprensa)


Assista também: Fernando Schuler foi um dos convidados da mais recente edição do programa Roda Viva (01), que debateu a reforma política. Os participantes trouxeram pontos em discussão no Congresso, como a eleição em lista fechada para parlamentares, a forma de financiamento de campanha e o fim das coligações nos pleitos para deputado e vereador. Também foram examinados formatos de reforma política. Veja abaixo.