Voltar para Notícias

Eduardo Giannetti lança Trópicos Utópicos em Porto Alegre

Eduardo Giannetti (foto: Paulo Freitas/Glamurama)
Eduardo Giannetti (foto: Paulo Freitas/Glamurama)

Após publicar sete livros – dois deles premiados com o Jabuti –, o professor e economista Eduardo Giannetti chega ao oitavo, Trópicos Utópicos (Companhia das Letras) com uma mensagem otimista, a de que existe, sim, uma utopia mobilizadora da alma brasileira capaz de confirmar o Brasil como o país do futuro.

Trópicos Utópicos é composto por uma sequência de 124 microensaios distribuídos em 173 páginas. O tamanho dos textos é inversamente proporcional à ambição de Giannetti, que diz querer retomar o estilo de grandes autores. Os ensaios buscam identificar a crise civilizatória que acomete nossos tempos, destrinchar as ilusões que a alimentam e ainda esboçar uma saída para o problema, sob a perspectiva brasileira.

Saraiva, Fronteiras do Pensamento e Companhia das Letras convidam: Eduardo Giannetti vem a Porto Alegre lançar Trópicos Utópicos nesta quarta-feira (30), às 19h30, na livraria Saraiva do Shopping Iguatemi.

O economista conversa com a jornalista Cláudia Laitano e autografa a obra. Compareça!

Em entrevista ao jornal Zero Hora, Giannetti fala mais sobre o livro:

Trópicos Utópicos é apresentado como perspectiva brasileira sobre a crise civilizatória. Não se restringe ao país?
As três primeiras partes são uma tentativa de mostrar o que há de errado no mundo moderno. Uma expectativa ilusória que se criou sobre a capacidade da ciência de elucidar o mistério da condição humana, uma ilusão muito poderosa em relação à capacidade da tecnologia de controlar a natureza em benefício do homem e por fim, uma terceira ilusão, de que o crescimento econômico proporcionaria uma vida mais livre, feliz e digna de ser vivida de maneira indefinida. A crise civilizatória engloba esses três pontos. A crítica a essas três ilusões da modernidade parte de um ponto de vista brasileiro.

O Brasil tem na sua cultura, graças a suas raízes não ocidentais, um doce sentimento da existência e uma capacidade de celebrar a vida que independe da lógica e da razão científica. Temos um patrimônio ambiental único, o que nos confere uma enorme responsabilidade em relação à crise ambiental e uma disposição amável e amigável que relativiza muito o que podemos esperar do crescimento e da renda como fonte da realização humana.

Ainda temos? O clima não se acirrou nos últimos anos?
É verdade. Mas aí vem a vantagem de se ter uma certa idade. Nós não podemos confundir o circunstancial da conjuntura com o permanente da cultura. O Brasil passa por ciclos muito exacerbados de confiança e desânimo. Da II Guerra Mundial para cá, é o terceiro movimento desse tipo.

Tivemos período de florescimento e euforia econômica cultural na segunda metade dos anos 1950, com Bossa Nova, Brasília, industrialização, Cinema Novo, que se perdeu logo no início dos anos 1960 com renúncia de Jânio, crise fiscal, inflação e golpe militar.

Depois tivemos, em pleno regime militar, um momento de grande otimismo com a ideia estapafúrdia do Brasil potência, do milagre econômica, a ideia do "Ame-o ou Deixe-o", usinas nucleares, ilha de prosperidade em meio a um mar turbulento. Criou-se uma fantasia de grandeza que acabou no final da década de 1970 e início dos 1980 com a crise da dívida externa e a década perdida. E agora a gente vê essa mesma alternância.

Há não muito tempo, o Brasil figurava como estrela do mundo emergente nas capas das revistas internacionais, sede da Copa do Mundo, incluindo milhões de pessoas no mercado de consumo, crescendo em meio à crise, um estado de quase euforia. E agora vivemos uma fortíssima reversão de expectativas, com o desabamento dessa fantasia. Em grande medida, por erros de política econômica no segundo mandato de Lula e, principalmente, no primeiro mandato de Dilma. Coloco essa perspectiva histórica para a gente não se entregar ao momento sombrio e perder de vista que o Brasil passa por ciclos há muito tempo.

Estamos condenados a esses ciclos?
Não. Temos de entender por que nossa imaginação flutua de maneira tão volátil, e o Brasil vive a alternância dessa embriaguez eufórica com depressão e prostração que arrasa. Já é mais do que tempo de se tentar entender isso para evitar que se repita.


Assista aos vídeos com Eduardo Giannetti no Fronteiras.com | Dentre os temas, os limites da ciência, a busca pela identidade na contemporaneidade, o prazer nos dias atuais e o eterno conflito entre ser humano e as forças da natureza.