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Manuel Castells inicia Fronteiras Braskem do Pensamento 2015: história é conflito entre movimentos sociais e ordem estabelecida

Manuel Castells no Teatro Castro Alves (foto: Ulisses Dumas / Ag. BAPRESS)
Manuel Castells no Teatro Castro Alves (foto: Ulisses Dumas / Ag. BAPRESS)

A série especial do Fronteiras do Pensamento em Salvador apresenta intelectuais que, em seus estudos e experiências, refletem sobre a vida em sociedade e nosso futuro. Neste ano, o debate proposto aos convidados se inspira em um tema comum: como viver juntos. Para tanto, o projeto recebe, em 2015, três convidados: Manuel Castells, Luc Ferry e Contardo Calligaris.

Abrindo a temporada deste ano, o sociólogo espanhol Manuel Castells proferiu a conferência Movimentos sociais em rede e processo político na era da internet, nesta terça-feira (12), às 20h30, no Teatro Castro Alves.

O convidado, doutor em sociologia pela Universidade de Paris, é reconhecido como um dos principais pesquisadores sobre os movimentos civis criados nas redes digitais. Porém, Castells já iniciou sua fala esclarecendo como se posiciona: “Não sou um pensador, sou um investigador e por isso estou em busca das evoluções do mundo e da sociedade."

Segundo o conferencista, não apenas ele está em busca das evoluções do mundo, mas o próprio mundo está nesta busca – e esta é a principal necessidade por trás das demandas da sociedade contemporânea: “os movimentos sociais são aqueles que não se limitam a contestarem o poder do estado. O que eles pedem são rupturas culturais e de normas dominantes e uma evolução das mentes. A necessidade de evoluir."

Castells defendeu que os movimentos sociais são os atores da mudança ao longo da história e apontou uma relevante diferença entre movimentos sociais e movimentos políticos, sendo que o primeiro é mais complexo do que a reivindicação por melhorias de gestão, já que “os movimentos sociais são, sobretudo, movimentos emocionais. Os movimentos programados, organizados, são movimentos políticos. Os movimentos sociais são um basta e esse 'basta' supera o medo e se transforma em mudanças pessoais".

Os movimentos sociais surgem, de acordo com o conferencista, de emoções humanas básicas como a “indignação e a humilhação social diária" e compartilham de um espírito afim: "a palavra comum aos movimentos sociais no mundo é dignidade. É o que buscam as pessoas contra a injustiça estabelecida."

As transformações geradas por estes “atores" têm impacto direto nas instituições e na organização da sociedade. Enquanto instituições fazem a manutenção da ordem estabelecida, os movimentos sociais são a ruptura da ordem, portanto, esclarece Castells, são os próprios movimentos que definem quando as mudanças iniciam e acabam, nesta “contínua contradição" que define a história. De acordo com Castells, a história é este contínuo conflito entre “a tendência das instituições de reproduzirem a ordem social, cultural, econômica e, portanto, o poder estabelecido nestas instituições, e os movimentos sociais que têm valores ou interesses alternativos para corrigir, modificar ou invadir os espaços de poder institucionalizado."

Neste movimento de ordem e ruptura, constitui-se a história e, assim, o surgimento de um movimento social pressupõe sua própria morte, porque ora são derrotados ora se transformam em pautas e comportamentos institucionalizados. Porém, Castells ressalta a diferença entre ambos os fins: “há formas distintas de morrer. A morte infrutífera, que apenas deixa amargura e destruição, e aquela que faz germinar novas ideias, novas sociedades, novas alegrias e novas formas de viver. E, no mundo, em que o Fronteiras do Pensamento e a Braskem colocaram como tema central, como suas preocupações e atividades culturais deste ano, como viver juntos, a primeira resposta é reforçando a necessidade de abrir as instituições aos atores que nelas não se reconhecem."

Os ingressos para Castells esgotaram dias antes da conferência. Adquira seu ingresso com antecedência para os próximos encontros com o filósofo francês Luc Ferry (16/09) e com o psicanalista italiano Contardo Calligaris (01/10) no site compreingressos.com ou na bilheteria do Teatro Castro Alves.

Não esqueça: amanhã, divulgaremos a resposta da Pergunta Braskem, seleção de uma das questões enviadas pelos seguidores do Fronteiras nas mídias sociais de todas as partes do Brasil.