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Pergunta Braskem: John Gray e o mito do progresso

John Gray
John Gray

Escritor e filósofo político britânico conhecido por suas críticas ao humanismo e ao pensamento utópico, John Nicholas Gray é o próximo conferencista do Fronteiras do Pensamento. Atenção para as datas: Gray sobe ao palco do Teatro Cetip, em São Paulo, nesta segunda-feira (06). Em Porto Alegre, o filósofo fala ao público do Salão de Atos da UFRGS, na quarta-feira (08). As vagas para o Fronteiras 2015 estão esgotadas.

Pergunta Braskem
O Fronteiras do Pensamento leva seus questionamentos até John Gray através da iniciativa Pergunta Braskem. Envie suas perguntas de qualquer parte do Brasil para o e-mail digital@fronteiras.com até a manhã de quarta-feira (08). Uma pergunta será selecionada e respondida pelo convidado diretamente do palco do Fronteiras Porto Alegre. A resposta será divulgada na quinta-feira (09), nos canais digitais do Fronteiras do Pensamento.

Atuação
John Gray é professor emérito da London School of Economics (LSE), instituição onde ensinou a cátedra Pensamento Europeu de 1998 a 2007. Sua carreira como professor também inclui as mais prestigiadas instituições do mundo como Oxford, Harvard e Yale. Principal colunista literário da New Statesman, escreve regularmente para The Guardian, The New York Review of Books e BBC Radio 4.

Influências
Gray é admirador de pensadores como Arthur Schopenhauer, Joseph Conrad e Sigmund Freud, por perceberem a fonte da barbárie e da crueldade na natureza humana, por não se surpreenderem com a continuidade do horror ou sequer esperarem que tudo melhore. Segundo Gray, filósofos iluministas como Immanuel Kant ou John Stuart Mill, que evocam melhores possibilidades para a humanidade, estão apenas oferecendo um mito de consolo.

Pensamento
Gray defende que o progresso é uma ilusão. Para ele, os seres humanos não são diferentes de outros animais e, como todos eles, nós não temos controle sobre nosso destino. Por sermos detentores da tecnologia, pensamos poder nos livrar das contingências do mundo natural, controlando nosso ambiente. Porém, tal esperança seria apenas uma versão secular da promessa de salvação do cristianismo.

“Os seres humanos diferem dos animais principalmente pela capacidade de acumular conhecimento. Mas não são capazes de controlar seu destino nem de utilizar a sabedoria acumulada para viver melhor. Nesses aspectos, somos como os demais seres. Através dos séculos, o ser humano não foi capaz de evoluir em termos de ética ou de uma lógica política.

Não conseguiu eliminar seu instinto destruidor, predatório. No século XVIII, o Iluminismo imaginou que seria possível uma evolução através do conhecimento e da razão. Mas a alternância de períodos de avanços com declínios prosseguiu inalterada. Regimes tirânicos se sucederam. A história humana é como um ciclo que se repete, sem evoluir."

Artigo John Gray: O que assusta os novos ateus
"Se deixarmos de lado qualquer visão de humanidade que tenha sido emprestada do monoteísmo, teremos de lidar com os seres humanos como os encontramos, com seus valores eternamente em guerra.

Este não é o relativismo celebrado pelos pós-modernistas, que sustenta que os valores humanos são meramente construções culturais. Humanos são como outros animais no sentido de terem uma natureza definida, que molda suas experiências, quer eles queiram ou não. Ninguém se beneficia de ser torturado ou perseguido por conta de sua religião ou sexualidade. Ser cronicamente pobre raramente, ou nunca, é uma experiência positiva. Correr risco de morte violenta é ruim para qualquer ser humano, seja qual for a sua cultura. Esses truísmos poderiam ser multiplicados. Valores humanos universais podem ser compreendidos como algo semelhante a fatos morais, marcando coisas boas e más que são genericamente humanas. Usando esses valores universais, talvez seja possível definir um padrão mínimo de vida civilizada que todas as sociedades deveriam cumprir, mas este mínimo não serão os valores liberais do presente transformados em princípios universais.

Valores universais não resultam em uma moralidade universal. Tais valores são muito frequentemente conflitantes, e diferentes sociedades resolvem esses conflitos de formas divergentes."


Leia na íntegra o artigo de John Gray, traduzido pelo Fronteiras do Pensamento e publicado originalmente no site do jornal The Guardian, no libreto preparatório para a conferência com o filósofo britânico. No libreto, além do artigo, reunimos biografia do convidado, principais obras e links de entrevistas, vídeos, resenhas etc.