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Philip Glass volta ao Brasil após seis anos

De jovem interiorano a artista interdisciplinar de renome internacional, reconhecido com prêmios como Globo de Ouro e BAFTA, o músico norte-americano Philip Glass tem uma trajetória profissional marcada por rejeição, desafios, persistência e experimentação. O compositor, considerado uma das figuras mais importantes da música no século 20, fez mais de 20 óperas, oito sinfonias, diversos concertos para violino e piano, e participou de incontáveis trilhas sonoras para cinema.

O músico se apresenta no Brasil, em concerto comemorativo aos seus 80 anos, durante esta semana. O espetáculo Estudos Completos para Piano será apresentado no Rio de Janeiro e em São Paulo. No domingo (17), no Auditório Ibirapuera, acontece concerto com entrada franca. Quatro pianistas convidados participarão do show: a japonesa Maki Namekawa, a tailandesa-americana Jenny Lin e os brasileiros Ricardo Castro e Heloísa Fernandes. O concerto é composto por 20 peças dos estudos compostos por Glass entre os anos de 1994 e 2012.

Philip Glass foi conferencista do Fronteiras do Pensamento em 2008. Confira abaixo o depoimento gravado na ocasião.


“Minha primeira intenção ao criar essas peças foi a de explorar uma variação de técnicas e texturas do piano, mas também aproveitei para me exercitar como pianista - a improvisação é um exercício intelectual muito forte e, em alguns casos, resultou em um trabalho artístico", afirmou o músico norte-americano em entrevista ao jornal Estadão.

O inconfundível estilo do trabalho de Philip Glass é marcado pela repetição de estruturas melódicas, harmônicas e rítmicas, comumente chamadas de “música minimalista”. A proposta diferenciada do compositor influenciou sua participação na elaboração de trilhas sonoras para filmes.

A vinda do artista ao Brasil para apresentar seu concerto especial, e a inclusão de dois músicos brasileiros no time de pianistas convidados têm origem numa relação antiga de Glass com a música nacional. Em 1989, além de compor a sinfonia Itaipu, o artista começou uma parceria com o diretor teatral brasileiro Gerald Thomas. Também compôs a peça para orquestra Days and nights in Rocinha, sobre a maior favela latino-americana, e cultiva amizades no país. “Há uma incrível força criativa no Brasil. E a arte é mais vital do que nunca, neste momento de crise. Acho que alguns dos trabalhos mais criativos nascem do turbilhão”, disse ao jornal O Globo.