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Técnica que permitiu visualização de estruturas do vírus da zika leva Nobel de Química

Jacques Dubochet (suíço) Joachim Frank (alemão) e Richard Henderson (escocês) são os vencedores do Nobel de Química. O trio melhorou a tecnologia da criomicroscopia e revolucionou a observação de biomoléculas. O anúncio dos ganhadores foi feito na manhã desta quarta-feira (4), na Suécia.

A partir da criomicroscopia, os cientistas conseguem congelar moléculas em meio a processos orgânicos e, a partir disso, entender o processo que está ocorrendo. Com o microscópio crioeletrônico, os pesquisadores podem visualizar processos que nunca antes viram, o que é decisivo para a compreensão básica da química da vida e para o desenvolvimento de produtos farmacêuticos. A técnica é crucial em várias áreas de investigação, como a relativa ao vírus Zika e à origem de danos cerebrais nos recém-nascidos.

"Este método coloca a bioquímica em uma nova era", declarou a Academia Real Sueca de Ciências ao anunciar os vencedores. 

Entre 1975 e 1986, Joachim Frank desenvolveu um método de processamento de imagem no qual as imagens bimodais difusas do microscópio eletrônico são analisadas e mescladas para revelar uma estrutura tridimensional afiada. 

Jacques Dubochet, por sua vez, adicionou água ao microscópio eletrônico. Quando a água líquida evapora no vácuo do microscópio eletrônico, as biomoléculas desmoronam. Com isso, no início da década de 1980, Dubochet conseguiu vitrificar a água — ele resfriou a água com tanta rapidez que solidificou em sua forma líquida em torno de uma amostra biológica —, permitindo que as biomoléculas conservassem sua forma natural mesmo no vácuo.

Em 1990, Richard Henderson conseguiu usar um microscópio eletrônico para gerar uma imagem tridimensional de uma proteína em resolução atômica, e esse avanço provou o potencial da tecnologia.

(Com informações de O Globo)