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Thomas Piketty lota Araújo Vianna em noite especial com lições do passado para o futuro

Thomas Piketty no Fronteiras do Pensamento Porto Alegre
Thomas Piketty no Fronteiras do Pensamento Porto Alegre

Auditório Araújo Vianna lotado para ouvir não um show de uma banda famosa, mas sim uma conferência sobre economia. 

O feito foi alcançado no evento especial do Fronteiras do Pensamento, que levou, ao palco, o francês Thomas Piketty, um dos mais reconhecidos mundialmente, quando falamos sobre desigualdade. 

E foi sobre a desigualdade que o público lamentou, juntamente com o próprio convidado, que "O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. Se não o mais desigual". Piketty se desculpou pelo pequeno espaço que o país ocupou em seu best-seller, O capital no século XXI, e celebrou que os dados necessários para colocar o Brasil na obra tenham começado a ser divulgados pelo governo há poucos anos.  

Ora esperançoso ora pessimista, a tônica da conferência, intitulada O avanço da desigualdade e a globalização, foi mais sobre as lições que a visão de Piketty sobre a história traz do que as próprias opiniões do convidado. Assim, apresentou diversas informações, tabelas e slides, extraídos de suas extensas pesquisas globais, para reforçar um dos pontos mais fortes de suas teorias, dizendo que esperava que as elites brasileiras fossem mais inteligentes que as europeias para tomar medidas que reduzam as desigualdades de renda, já que houve muita resistência em nações mais ricas, no princípio do século passado para aceitar maior tributação sobre renda e heranças.

Para o economista, as saídas do Brasil passam por políticas que aumentem a renda dos mais pobres e façam reforma tributária, que é uma das fontes da concentração de riqueza. "O sistema tem muitos impostos indiretos, que pesam para a renda mais baixa, e o imposto progressivo (de renda) e sobre herança são limitados", apontou o conferencista. 

Ao confrontar o imposto progressivo que é praticado nos Estados Unidos, Alemanha, França e Inglaterra, o autor observou que o imposto sobre herança é de 30% a 40% nessas nações. "Não digo que 30% a 40% deveria ser um número mágico, mas 3% a 4% (como é no Brasil) é muito baixo. 

Outro tema importante da noite foram as fortes críticas à recente ascensão de práticas nacionalistas — muito, acredita ele, consequência do crescimento da desigualdade em diferentes países. "O aumento da desigualdade pode levar ao aumento do nacionalismo. E esse problema precisa ser tratado de forma democrática. A frustração com a política não pode ser usada para culpar grupos minoritários, como fez Trump com os latinos. O que vemos nos Estados Unidos é deprimente, mas não é coincidência: tem tanta relação com o aumento da desigualdade quanto o Brexit", afirmou Piketty. 

Para o conferencista, observar outras nações é crucial para desenvolvimento: "cada país imagina que não há nada a aprender com as experiências de outros países. Sempre temos muito a aprender com estas outras experiências, para irmos além do nacionalismo", concluiu, arrancando aplausos das milhares de pessoas presentes. 

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