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Vida e obra de Lima Barreto viram novo livro

Nós, os brasileiros, somos como Robinsons: estamos sempre à espera do navio que nos venha buscar da ilha a que um naufrágio nos atirou.
— Lima Barreto, “Transatlantismo”

Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, Feira do Livro de Porto Alegre, Fronteiras do Pensamento e Companhia das Letras convidam grande público para o lançamento da obra Lima Barreto - Triste visionário, de Lilia Moritz Schwarcz. O evento acontece nesta terça (17 de outubro), às 18h30, no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo - Auditório Barbosa Lessa, e conta com aula ilustrativa ministrada pela autora, além de mediação do jornalista Carlos André Moreira e sessão de autógrafos. Compareça! 


Lima viveu pouco — 41 anos. Morreu em 1º de novembro de 1922, vítima de um infarto — atribuído, entre outros fatores, também ao consumo excessivo de álcool —, dois dias antes da morte de seu pai. Em sua curta vida, o escritor mostrava urgência.35 Mal teve tempo de conhecer as novidades anunciadas pela Semana de Arte Moderna. Por sinal, na sua primeira e quase imediata reação à revista Klaxon, define os paulistas como adeptos do futurismo, insinuando desse modo que seriam cultores das vogas europeias. Já eles, sentindo-se atingidos pela matéria que Lima publicou na revista Careta de 22 de julho de 1922,36 desautorizaram a crítica e julgaram seu autor “um reacionário”. Assim, o que poderia ter sido um belo encontro virou colisão de graves consequências. Justamente Lima, que tinha uma obra cujo fermento era a oralidade da escrita, os termos do povo, a busca do que era autêntico e ético, acabou, durante largo período, preso ao contexto que tanto criticou.

A vida e a obra desse escritor representam, portanto, um convite e um aceno. Lima nos incita a transgredir a fronteira do passado, atuando como um guia inesperado. Um timoneiro que não abre mão de incluir em sua obra suas batalhas, idiossincrasias, brincadeiras, afetos e broncas. Um narrador que nunca se apaga diante do que acredita ser seu e de direito. Ele que brigou, insurgiu-se, apoiou, vetou, enfim, fez todo o barulho que podia para que a República se tornasse uma respublica: o governo de todos para todos, e por todos. Outro Brasil, que é o mesmo também. Aquele dos mais despossuídos; de alma grande como “seu” Manuel Cabinda, e que carregam uma dor maior que o mundo mas que jamais se deixam, simplesmente, apanhar ou vencer. Ao contrário, lutam sem cessar. Esta introdução é assim dedicada a Lima Barreto, numa atitude semelhante à que ele tomava. Antes de iniciar suas crônicas e livros, lembrava sempre de um amigo ou de uma pessoa que o inspirara, e o animara a continuar escrevendo. Certa vez, Lima registrou que “não se separavam bem as pessoas e as cousas”, e que qualquer vida é feita de “muitas vidas e muitas existências”. Pois bem, esta não é mesmo a história do Lima Barreto. Aliás, nem o próprio Lima cabe numa história. Esta é a minha história, aquela que aprendi com ele.

Lilia Moritz Schwarcz


Lançamento Lima Barreto - Triste visionário

Quando: Terça, 17 de outubro, 18h30
Onde: Centro Cultural CEEE Erico Verissimo - Auditório Barbosa Lessa (R. dos Andradas, 1223 | 4ºandar - Centro Histórico/Porto Alegre)
Entrada Franca (teatro sujeito à lotação)