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Zygmunt Bauman falece aos 91 anos

Morreu aos 91 anos, em Leeds, na Inglaterra, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, informou a mídia polonesa nesta segunda-feira (9). A causa da morte não foi informada.

Houve um tempo em que conceitos eram sólidos. Ideias, ideologias, relações, blocos de pensamento moldando a realidade e a interação entre as pessoas. O século 20, com suas conquistas tecnológicas, embates políticos e guerras viu o apogeu e o declínio desse mundo sólido. A pós-modernidade trouxe com ela a fluidez do líquido, ignorando divisões e barreiras, assumindo formas, ocupando espaços diluindo certezas, crenças e práticas.

Para analisar este novo contexto, surgia um dos maiores intelectuais contemporâneos, Zygmunt Bauman, que ficou mundialmente conhecido por seu conceito de Modernidade líquida - em que as ideias de emancipação, individualidade, tempo/espaço, trabalho e comunidade estão propensas a mudar com rapidez e de forma imprevisível.

Autor de mais de 50 livros, o polonês guardava vivas as memórias da Polônia natal, do período que passou na União Soviética, da luta na Segunda Guerra Mundial, até a consagração como acadêmico no Ocidente.

Todas estas mudanças e lembranças foram discutidas por Bauman em sua entrevista ao Fronteiras, concedida em sua casa em Leeds, onde faleceu. Democracia, laços sociais, comunidade, rede, pós-modernidade, dentre outros tópicos são analisados por esta que foi uma das grandes mentes do nosso tempo.

Em seu último livro, Estranhos à nossa porta (Zahar, 2017), o professor discutiu a crise da imigração mundial e o pânico por ela causado. O tema também apareceu em recente animação da emissora Al Jazeera, narrada pelo próprio intelectual. Clique aqui para assistir na íntegra.

Bauman foi casado com a também socióloga e escritora Janina Bauman desde a época do pós-guerra. A esposa também faleceu em Leeds, em 2009. Zygmunt Bauman deixa três filhas.

Concluímos esta triste notícia com uma das falas mais emblemáticas do sociólogo:

"Estamos todos no mesmo barco. Essa é a primeira vez na história em que o mundo é realmente um único país, em certo sentido. E não há reversão. Logicamente, podemos tentar construir muros impenetráveis ao redor do nosso lugar escolhido, onde queremos ser felizes sozinhos, sem compartilhar com os outros, mas essas são tentativas fracassadas. Não darão certo a longo prazo. O fato é que nós somos, agora, interdependentes."