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21 Ideias: Susan Greenfield e a diferença entre livros e videogames

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Susan Greenfield é uma renomada pesquisadora do departamento de fisiologia médica de Oxford, com passagens pelo Collège de France e pelo Centro Médico da Universidade de Nova York, além de dezenas de premiações. 

A sua principal provocação dirige-se às transformações oriundas da revolução digital. À primeira vista, as colocações de Susan Greenfield podem parecer mais uma demonstração de incompreensão e nostalgia das gerações mais velhas em relação à adição dos mais jovens pela internet, pela vida virtual e pelos gadgets de todo tipo. Por óbvio, não se trata disso, pois ela possui colocações precisas, pontuais e profundas sobre o tema, apresentadas em sua conferência no Fronteiras do Pensamento.*


susan greenfield fronteiras do pensamento

As grandes ideias propostas por Greenfield, no palco do Fronteiras, podem ser lidas na obra 21 ideias do Fronteiras do Pensamento para compreender o mundo atualO livro reúne textos de especialistas brasileiros explicando o pensamento dos conferencistas, seguidos da fala dos convidados, em excertos representativos das ideias que os colocaram como referências do nosso tempo.

Confira abaixo um excerto da fala de Susan Greenfield e acesse o site da Arquipélago Editorial para garantir sua cópia, também à venda nas principais livrarias!


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Uma psicóloga chamada Sherry Turkle escreveu um livro em que diz: quanto mais você fica conectado, tanto mais isolado você se sente. Você constrói uma persona fantástica com festas e namorados em série, linda e atraente, uma vida perfeita. Quanto mais você tenta impressionar as pessoas desse jeito, mais a sua persona real sofre. Você não tem amigos para perceberem que você não está bem — é o que os amigos de verdade fazem. Com as redes sociais, temos uma identidade mais fraca, menos empatia e um novo tipo de relacionamento sobre o qual precisamos pensar com muito cuidado. 

Peguemos um jogo antigo de Playstation: ‘Num mundo de escuridão e magia, senhores da guerra batalham, sedentos pelo poder. A nobre princesa Yukihime é sequestrada.’ Pois bem. Vocês se importam com a princesa Yukihime? Aposto que não estão nem aí. No entanto, se lerem Guerra e paz, de Tolstói, vocês vão se importar com a princesa. Por que vocês se importam com a princesa de Guerra e paz e não se importam com a princesa do videogame? Permitam-me sugerir que a princesa Maria tem uma história de vida parecida com a sua, uma sequência de acontecimentos irreversíveis — algo que levou a algo que levou a algo. Como você, a princesa Maria tem amigos e conhecidos. Portanto, ela tem um significado. Significado, lembrem, é ver algo em termos de outra coisa. Se você vê algo em termos de ações e relacionamentos prévios, então ela tem uma importância e um significado que a princesa Yukihime não tem. Caso contrário, você não leria o livro. Se você não se importasse com a princesa ou com outros personagens do livro, por que se daria o trabalho de lê-lo? Essa é a diferença entre ler e jogar um videogame. 

Vejam esta citação: ‘Temo que o nível de interrupção e a rapidez avassaladora das informações estejam de fato afetando a cognição, afetando o pensamento mais profundo. Ainda acredito que ler com calma um livro é o melhor modo de realmente aprender alguma coisa. Temo que estejamos perdendo isso’. Eu pergunto: quem disse isso? Foi o presidente do Google. Quando as nossas crianças estão sendo educadas, apenas lhes dar um iPad ou um computador poderá muito bem ser proveitoso, mas a verdadeira questão é entender as coisas. 

A mente do futuro terá tanto coisas boas quanto ruins. Um QI mais alto e uma memória de curto prazo aprimorada. Quem não vai querer? É algo ótimo. Quanto à menor aversão aos riscos, isso pode ser ruim ou bom. No lado ruim, menos capacidade de atenção, ícones versus ideias, uma ênfase no sensorial, menos empatia, menor cultura letrada e menor senso de identidade. 

*Texto introdutório por Felipe Pimentel



Assista abaixo à conferência de Susan Greenfield no Fronteiras, intitulada O futuro do cérebro, o cérebro do futuro, em que a neurocientista britânica fala sobre a influência das novas tecnologias em nossas vidas, em como pensamos e sentimos o mundo.