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4 cientistas falam sobre como tornar a divulgação científica mais acessível

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Crédito da imagem: National Cancer Institite / Unsplash
Crédito da imagem: National Cancer Institite / Unsplash

Conforme a pandemia de Coronavírus passou a fazer parte de nossos dias, a importância da ciência foi ficando cada vez mais evidente em uma situação de falta de controle. A urgência para desenvolver uma vacina segura e a necessidade de alertar a população sobre os cuidados necessários envolvem o entendimento sobre o vírus. Ou seja, é preciso transmitir como ele se comporta, e de forma clara.

Os cientistas abordam, há anos, este assunto que agora se sobressai: como tornar a ciência acessível, como compartilhar o conhecimento em linguagem simples, com histórias que aproximem a comunidade de pesquisadores da comunidade leiga? Suzana Herculano-Houzel, neurocientista brasileira, afirma que chegar a quem está do outro lado é fundamental, e o cientista deve se esforçar para se colocar no lugar dessas pessoas: “fazer divulgação científica é muito mais que simplesmente transmitir conteúdos”.

Para Michael Shermer, especialista em psicologia experimental norte-americano, não bastam dados para divulgar a ciência, é preciso contar histórias, são elas que conferem profundidade ao que se quer comunicar. Shermer lembra que a religião foi a primeira a, da sua forma, contar histórias sobre a origem do mundo. Os cientistas podem contar o enredo da nossa existência e as descobertas de maneira semelhante. O efeito, argumenta ele, é comprovado: “isso afeta os centros de dopamina do cérebro, dá sentido aos fatos”.

Há, também, a questão da distância em relação a algo que, na verdade, faz parte do cotidiano de todos nós. Carlo Rovelli, físico e cosmólogo italiano, afirma que a expectativa de vida e a compreensão do mundo que temos hoje, por exemplo, são resultado dos progressos da ciência: “O modo como vivemos é baseado no conhecimento adquirido através de um modo científico de pensar”. Para ele, a ciência não pode ficar escondida atrás de portas fechadas.

Por outro lado, a divulgação da ciência requer alguns cuidados quando se trata de resumir dados. António Damásio, médico e neurocientista português, fala sobre detalhes como a restrição do número de caracteres em artigos científicos e o fato de que, em muitos casos, as mídias reduzem conteúdos para adaptá-los ao ritmo de vida acelerado da vida moderna. Damásio salienta: “A simplificação da ciência, quando exagerada, leva a abordagens errôneas de assuntos importantes”.

É consenso que muitos dos assuntos abordados pelos cientistas acabam ficando distantes de quem não trabalha na área. Todavia, a ciência e seus progressos manifestam-se na vida de todos, mesmo que imperceptivelmente. 

Confira a seguir 4 vídeos sobre esses temas. Todos os cientistas aqui mencionados foram conferencistas do Fronteiras do Pensamento em diferentes edições do projeto:



Carlo Rovelli - O que a ciência fez pela nossa civilização

Quando você ouve falar em teorias físicas, pergunta-se o que elas têm a ver com você? Tudo. Grande parte dos estudos que parecem tão desligados de nós foram cruciais para desenvolver esta tela em que você está nos assistindo, por exemplo. Vamos além: você provavelmente só está vivo graças a estes estudos. Quem nos explica esta fascinante jornada científica que construiu o mundo como o conhecemos é Carlo Rovelli, conhecido por sua grande abordagem acessível.

Carlo Rovelli é um dos pioneiros na pesquisa sobre gravidade quântica. Um dos criadores da Teoria da Gravidade Quântica em Loop (também conhecida como gravidade em loop), tornou-se conhecido ao publicar “Sete breves lições de física”, best-seller que explica o universo com textos e abordagem acessíveis. O livro foi traduzido para mais de 40 idiomas e alcançou milhões de exemplares vendidos. 



António Damásio - O problema na divulgação da ciência

António Damásio, médico e neurocientista português, argumenta que o limite de palavras em artigos científicos e a necessidade de resumir ideias para garantir leitores nas mídias traz um grande problema para a divulgação da ciência: uma simplificação exagerada que passa reto pela história do comportamento humano. Conferencista do Fronteiras do Pensamento 2013.

Neurocientista português, Damásio é professor de neurociências e diretor do Instituto do Cérebro e da Criatividade da Universidade da Califórnia do Sul. Seus estudos focam na busca de respostas para questões filosóficas com base no conhecimento do cérebro. Suas descobertas na área da neurobiologia da mente e do comportamento, com ênfase na emoção, tomada de decisões, memória, comunicação e criatividade, fizeram dele um líder com reconhecimento internacional no campo das neurociências.



Suzana Herculano-Houzel - Ciência para todos

Suzana Herculano-Houzel, neurocientista brasileira, fala sobre o “irreal abismo” entre cientistas e população em geral. Segundo Suzana, ao cientista cabe não apenas as pesquisas, mas também o esforço em explicar às pessoas as descobertas e suas implicações. Afinal, defende, “a vocação da ciência é servir a humanidade. O que é gerar conhecimento, se este conhecimento não fica disponível para a sociedade?”, questiona.

Suzana Herculano-Houzel é reconhecida por sua capacidade de explicar como os estudos da neurociência podem ser aplicados na vida humana. A pesquisadora foi a primeira brasileira a falar na conferência internacional TED Global. Atualmente, é professora da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, e colunista do jornal Folha de S.Paulo. 



Michael Shermer - Cientistas: aprendam a contar histórias

Michael Shermer, especialista em psicologia experimental norte-americano, fundador da revista Skeptic, defende o poder da história para gerar sentido nas informações aprendidas. Shermer argumenta que a ciência precisa adentrar o universo das narrativas que elucidam o significado dos fatos, pois as histórias contadas pela religião não mais abarcam nosso conhecimento e o homem precisa das histórias para encontrar sentido na vida.

Michael Shermer é especialista em psicologia experimental, fundador da revista Skeptic, diretor-executivo da Skeptics Society, colunista da revista Scientific American e professor na Chapman University. Shermer iniciou seus estudos em teologia e biologia, passando para a neurociência e psicologia.