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A ilusão da consciência

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“A consciência não está em lugar algum, ela está no todo." É o que diz o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis ao esclarecer o funcionamento da mente humana e o surgimento da consciência, uma propriedade que aparece da interação de bilhões de neurônios. Assista ao vídeo abaixo e leia a explicação deste fenômeno denominado Teatro de Descartes pelo neurocientista norte-americano Daniel Dennett.

Imagine uma imensa indústria que produz computadores com minúsculas peças e sistemas variados. Nessa indústria, há inúmeras salas com diversas máquinas que produzem mais diversos mecanismos. O que acontece se alguma dessas máquinas falha?

Ao visualizarmos esta cena, naturalmente pensamos em algum supervisor ou coordenador na fábrica, que tem consciência total do processo. Ele sabe o que cada máquina faz e onde cada nova peça deve ir para que tudo funcione corretamente. Esta é nossa lógica para mecanismos complexos. Contudo, antes de começarmos a análise dos mecanismos da consciência humana, precisamos nos livrar daquele que seria a mais importante peça da indústria que visualizamos acima: o supervisor. Precisamos nos despedir deste coordenador sabe-tudo para que possamos começar a falar da consciência.

Éisso que o filósofo norte-americano, Daniel Dennett, diz sobre nossa mente. Claro que o cérebro não é formado por minúsculas máquinas, mas podemos dizer que nossas 100 trilhões de células funcionam da mesma maneira: nenhuma delas sabe, conscientemente, o que está fazendo, mas, mesmo assim, conseguem construir uma indústria que funciona: o homem. É verdade, as células não têm a menor ideia do porquê estão ali e porque devem cumprir todas suas funções. Mas, mesmo assim, elas seguem trabalhando até o fim de nossas vidas.

Daniel Dennett considera este supervisor das máquinas o maior erro que podemos cometer ao estudarmos a mente humana. Ele chama este supervisor que sabe de tudo e que tudo controla (e que não existe) de Teatro de Descartes. De acordo com Dennett, a grande questão para os cientistas atuais é entender como trilhões de pecinhas que não sabem o que fazem se unem em um trabalho árduo e complexo e, de repente, somos seres conscientes que sabem causas e razões para grande parte de nossas ações. Onde, quando ou como isso ocorre? Esta questão ainda não foi respondida, mas entender que não existe um momento ou um local específico no cérebro em que essa "mágica da consciência" ocorre é um imenso passo na história da ciência da mente.