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Astrofísica, Janna Levin mostra a ciência como parte fundamental da cultura

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A natureza do nosso universo, revelada pela ciência, pode ser muito mais surpreendente do que a ficção científica.  

Exemplos não faltam: o que dizer da descoberta pelos astrofísicos da existência de buracos negros na natureza? Da matéria escura? Da energia escura? De um universo em expansão?  

A astrofísica Janna Levin, professora do Barnard College e da Universidade de Columbia (Nova York, Estados Unidos), também pensa dessa forma, considerando a ciência parte fundamental da cultura humana. E age para promovê-la e divulgá-la de uma maneira divertida e inteligente.  

Além do seu escritório na universidade, onde faz pesquisa científica, ela também tem um estúdio no centro de arte e inovação Pioneer Works, no bairro do Brooklyn, onde trabalha ao lado de artistas e músicos no papel de diretora de ciências.

Janna Levin é a próxima conferencista do Fronteiras do Pensamento. A astrofísica sobe ao palco do projeto, em Porto Alegre, na segunda-feira (02/9). Em São Paulo, na quarta (04/9). Garanta sua participação nos próximos eventos. Além de Levin, o Fronteiras ainda receberá Werner Herzog, Contardo Calligaris e Luc Ferry.

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ENVIE SUA PERGUNTA | Mande suas questões para Janna Levin através do e-mail digital@fronteiras.com ou comente-as em nossa página do Facebook. A professora responderá as questões selecionadas diretamente do projeto nas capitais gaúcha e paulista. Divulgaremos as respostas nos dias posteriores aos eventos, em nossos canais digitais, oferecidos pela Braskem.

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A história de Janna Levin é peculiar. Quando jovem, não imaginava que se tornaria uma cientista. Na época do colégio, sofreu um grave acidente de carro que a deixou hospitalizada por muito tempo, tendo por isso não concluído o segundo grau.  

Mas, isso não a impediu de ser aceita no Barnard College, para cursar Filosofia. Entretanto, logo se frustrou pelo conteúdo do curso que, segundo ela, versava sobre “o que filósofos, na sua maioria já mortos, queriam dizer com suas palavras ou textos”, e isso não lhe era atrativo.  

Começou então a se interessar por ciência. Após terminar a graduação, com ênfase em Física e Astronomia, doutorou-se em física teórica no Massachusetts Institute of Technology (MIT).  

A pesquisa científica de Janna, desenvolvida no Barnard College, versa sobre Teoria dos Buracos Negros, Cosmologia, topologia do espaço e ondas gravitacionais, sendo autora ou coautora de cerca de cem artigos científicos nestes tópicos.  

Mas, sua fama mundial deriva principalmente das suas atividades de promoção e divulgação científica, e em particular dos seus três livros, que, de acordo com críticos e admiradores, harmonizam ciência e vida cotidiana com um “virtuosismo surpreendente”.  

O primeiro livro foi escrito e publicado em 2002 e tem o título “Como o Universo Ganhou as suas Manchas?” (How the Universe Got its Spots?), e versa sobre a origem, o tempo e o espaço no universo, entremeando na escrita fatos científicos e os fatos do cotidiano da sua vida.

Em 2006, publicou o segundo livro, chamado “Um Louco Sonha a Máquina Universal”, no qual faz um paralelo entre as vidas de dois matemáticos brilhantes nascidos no início do século 20, Kurt Gödel e Alan Turing, que, embora nunca tenham se encontrado, tiveram vidas com dramas semelhantes e que terminaram tragicamente.  

Em seu terceiro livro, “A Música do Universo – Ondas Gravitacionais e a Maior Descoberta Científica dos Últimos Cem Anos”, editado em 2016, ela conta a história da procura pelas ondas gravitacionais, que tem mais de 50 anos, e que finalmente teve um desfecho feliz com a primeira detecção pelo Observatório LIGO. Estas ondas foram originárias da colisão de dois buracos negros numa galáxia distante, detectadas em setembro de 2015, mas divulgadas em fevereiro de 2016.  

O que é admirável na Janna, mãe de dois filhos, é esta capacidade de ser cientista competente, divulgadora e promotora irreverente da ciência, bem como em ser uma escritora cativante, que vai certamente cativar também a audiência do Fronteiras do Pensamento.  

Por Thaisa Storchi Bergmann, Astrofísica brasileira, pesquisadora IA do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências e ganhadora do prêmio internacional L’Oreal/Unesco pela sua pesquisa observacional sobre Buracos Negros Supermassivos.