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Fernando Gabeira: As bicicletas do Rio

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O jornalista brasileiro Fernando Gabeira participa do Fronteiras do Pensamento Porto Alegre 2013 ao lado de Marina Silva, historiadora. Nomes importantes no ativismo ecológico do país, ambos discutirão O Brasil e a questão ambiental na segunda-feira, dia 27 de maio, no Salão da UFRGS.

Em artigo para o jornal Metro (06/05), Gabeira expõe a complexidade da mobilidade urbana no Rio de Janeiro, apresentando realidades bastante familiares para outras capitais brasileiras. De acordo com Gabeira, o crescente uso das bicicletas traz uma nova situação a ser pensada agora: já não bastam mais ciclovias e áreas de lazer reservadas para ciclistas, é preciso desenvolver políticas que modifiquem as relações entre motoristas e ciclistas - e pedestres. Leia o texto de Gabeira abaixo:

Uso bicicleta há algumas décadas no Rio. Fiz duas campanhas políticas montadas nela.

Embora nunca tenha sofrido um acidente, reconheço que é hora de discutir a relação.

As bicicletas são uma realidade no Rio. De uma certa forma já o eram, antes da construção das ciclovias, na gestão de Alfredo Sirkis como secretário de urbanismo.

Milhares de trabalhadores da Zona Oeste sempre usaram as duas rodas para unir suas casas à estação de trem.

As ciclovias estimularam a classe média a ampliar o uso de bicicletas. O trânsito caótico e a chegada das elétricas produzidas na China contribuíram para completar o quadro.

Dois atletas foram atropelados esta semana. Um deles morreu.

No próprio Leblon uma talentosa produtora de tevê perdeu a vida de uma forma absurda.

A construção de ciclovias que as vezes nem são adequadamente mantidas, como a da Zona Oeste, não resolve o problema.

O uso de bicicletas vai crescer cada vez mais. De um lado, porque é um grande esporte pedalar por uma cidade como o Rio. De outro, porque, em certas áreas como a Zona Sul do Rio, é o meio de transporte mais racional.

Não adianta supor que ter uma rede de ciclovias resolve. Nem fazer como São Paulo, criando áreas de lazer protegidas, para se andar de bicicleta.

É preciso uma política que favoreça a coexistência pacífica entre motoristas e ciclistas. Ainda falta infraestrutura, sinais adequados e sobretudo educação no trânsito.

Não são apenas os motoristas que sentindo-se mais fortes desrespeitam os ciclistas. Estes sentem-se mais fortes que os pedestres e, em muitos casos, também os desrespeitam.

Aplicar o Código Nacional de Trânsito é um primeiro passo. Mas campanhas específicas são necessárias para que o número de desastres seja reduzido.

Nos últimos dias, os ônibus têm sido os vilões. Favorece a direção perigosa a prática das empresas de não darem o nome dos motoristas que cometem infrações.

Isso parece que vai ser combatido. Mas o trânsito continuará caótico tanto no Rio como nas principais cidades médias do estado.

Tentei realizar um rápido trabalho nas cidades serranas e constatei que os engarrafamentos parecem estar em toda parte.

A mobilidade e segurança no trânsito passaram a ser um problema de grande dimensão.

Vereadores e deputados não discutem muito o transporte coletivo no Rio. Parecem domesticados pelas empresas.

Chegou a hora de colocar o tema no topo da agenda. É uma questão de vida ou morte. E também de produtividade. Não se faz mais nas cidades brasileiras o mesmo que se fazia no passado.

Nosso tempo é perdido nos engarrafamentos e a vida caminha na corda bamba. É hora de levar a sério não só trânsito mas o avanço irreversível das bicicletas ao cotidiano da metrópole.