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Fritjof Capra: "Podemos e devemos aprender muito com a natureza"

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Crédito da imagem: Jason Ortego / Unsplash
Crédito da imagem: Jason Ortego / Unsplash

Em um futuro pós-pandemia de covid-19 seremos menos individualistas? Será que a coletividade falará mais alto? O físico austríaco Fritjof Capra, conferencista do Fronteiras do Pensamento 2020, apresentou sua perspectiva à Braskem em entrevista exclusiva.

Defensor da visão sistêmica do mundo e da vida, Capra acredita que tudo está interconectado. Da mesma forma, devemos levar em conta que tudo está interligado para melhor analisar a pandemia e consequências nas questões de economia e condições sociais, trabalho, justiça social. Todas as problemáticas estão interconectadas. Para ele, a ideia de interconexão seguirá conosco após a pandemia.

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A grande dúvida que fica sobre a reação ao vírus é se teremos comportamento coletivo responsável para seguir adiante. Agir de acordo com o bem comum é uma questão ética para o físico, e os políticos que colocam a postura ética acima de suas carreiras conduzem melhor a crise sanitária que atravessamos.

Outro ponto a ser observado na fala do físico é sobre sustentabilidade e o que podemos aprender com a natureza, como os cientistas e engenheiros vêm fazendo. Técnicas para desenvolver tecnologias podem ser inspiradas nos processos da natureza, que desenvolve suas tecnologias na base das tentativas e erros e “bilhões de anos de seleção natural e evolução”. Capra explica que, em seu processo evolutivo, a natureza criou estruturas e processos superiores às invenções humanas.

Confira um trecho da entrevista de Capra à Braskem e assista ao vídeo completo:

“A essa altura, acho que não é possível dizer como será o mundo pós-covid. Acredito que a conectividade, a conectividade sistêmica da covid-19, a economia e as condições sociais, a justiça social, as oportunidades de trabalho, o fato de precisar ir a algum lugar trabalhar ou trabalhar de casa, tudo isso está intimamente interconectado, e acho que a percepção dessa interconexão ficará conosco.

A pergunta é: teremos um comportamento coletivo responsável? A meu ver, essa é essencialmente uma questão ética, porque a ética é o comportamento em prol do bem comum. E, portanto, é possível agir dessa forma, e na verdade os fatos que usei como exemplo antes ao dizer que os líderes políticos que escutam os cientistas conseguiram superar a pandemia, esse era um aspecto de suas ações.

Mas outro aspecto é que eles têm o bem comum em mente, ao invés de sua própria carreira política ou do poder político. Eles também são políticos que agem de maneira ética. E verificamos o mesmo nesses países, como a Nova Zelância, de Jacinda Ardern, e as pessoas da Austrália, China, Noruega e assim por diante. Trata-se de um comportamento ético, e espero que isso se espalhe após a pandemia.”