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O velho e belo abrigo do afeto

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Ilustração: Felipe de Lima Mayerle
Ilustração: Felipe de Lima Mayerle

Em 2019, o Fronteiras do Pensamento lhe convida a mergulhar na mais atemporal das questões: quais são os Sentidos da Vida?

A grande pergunta como um dos caminhos capazes de ensinar o indivíduo contemporâneo a navegar com mais sabedoria pela torrente de informações, desafios e opções que o mundo atual apresenta.

A filosofia, portanto, não poderia ficar de fora. Convidamos Luc Ferry para nos ajudar nessa jornada.

O filósofo francês volta ao Fronteiras para explicar como podemos buscar, efetivamente, a sabedoria e o amor. Para Ferry, sabedoria e amor seriam as grandes "ferramentas" de superação dos medos. Já os medos, são os obstáculos que impedem a nossa liberdade.

Para refletir sobre os Sentidos da Vida, o Fronteiras do Pensamento 2019 promove conferências com os seguintes convidados: Graça Machel, Paul Auster, Roger Scruton, Denis Mukwege, Janna Levin, Werner Herzog, Contardo Calligaris e Luc Ferry. Os ingressos já estão à venda.

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Em artigo ao Fronteiras do Pensamento, o psicanalista e historiador Felipe Pimentel fala sobre a importância da obra de Luc Ferry para encontrar alguma estabilidade em tempos difíceis. Leia abaixo o texto originalmente publicado na Revista Fronteiras do Pensamento ZH:

- Clique aqui para ler a revista na íntegra


O velho e belo abrigo do afeto | Felipe Pimentel

São tempos difíceis”, ouve-se por aí. Catástrofes naturais e outras não tão naturais, crimes hediondos, extremis-mos e polarizações político-ideológicas, revisionismos e polêmicas supostamente enterradas, disseminação de incertezas e fake news, multiplicação de ansiedades e depressões. Não sabemos se o mundo está realmente mais duro e transtornado, ou se somente temos acesso a todas as “notificações” dessas ocorrências. O que acontece é que a vida coletiva tende a emular a vida pessoal: mal percebemos quando ela está bem, mas não deixamos de notar quando ela vai de mal a pior. E como reagimos diante do mal-estar?

Todas as épocas compartilharam dos mesmos males diante do amor, da amizade, da política, da doença e, para falar nas palavras de Marco Aurélio – da hora extrema: a morte. Em alguns momentos, as pessoas têm consolos mais robustos e milenares, em outros se veem sem resposta alguma: como reagimos a elas é o que dá sentido – ou não – à vida de cada um. Pode existir pergunta mais fundamental do que essa – qual o sentido da (minha) vida?

Luc Ferry é um pensador que vem nos ajudar a respondê-la. Como um bom filósofo, não passará diretamente à conclusão, mas antes procurará suas raízes, isto é, qual a origem do mal-estar na contemporaneidade e quais as dificuldades peculiares da nossa época em reagir a ele. Generoso, oferece-nos alguns amparos e muitos caminhos (ou, pelo menos, uma bibliografia) para tentarmos resolvê-la. Audaz, chega inclusive a propor uma solução.

É um empreendimento ousado, e, por óbvio, Luc Ferry não tira da própria cabeça a resposta, mas vai buscar nos grandes pensadores da filosofia. E é aqui que entra o seu maior talento: a capacidade de traduzir o pensamento complexo de filósofos difíceis, sem simplificá-los ou falsificá-los, mas de modo claro e preciso. Porém, não somente para que tenhamos deles algum conhecimento “meramente” intelectual, mas para que percebamos como eles buscavam responder, muitas vezes, os mesmos dilemas que temos na nossa vida, e, num segundo momento, como eles podem, se não nos auxiliar, pelo menos nos acompanhar.

Seu livro A mais bela história da filosofia configura-se exatamente assim. Não se trata de uma história da filosofia acadêmica, mas de uma história dos grandes temas humanos através das respostas que a filosofia forneceu. É um livro agradável e apaixonante. Por falar em paixões, é por aí que Luc Ferry caminha para oferecer algumas, nem tão tímidas, soluções para o sentido da vida. Em especial nos seus dois livros Aprender a Viver e A Revolução do Amor, Ferry sugere que a grande via para encontrar algum sentido na vida contemporânea, essa vida desencantada, seria o velho afeto – o amor. E não é um belo abrigo?

Em 2019, o Fronteiras do Pensamento promove conferências com os seguintes convidados: Graça Machel, Paul Auster, Roger Scruton, Denis Mukwege, Janna Levin, Werner Herzog, Contardo Calligaris e Luc Ferry.

Garanta sua presença nas oito conferências deste ano em Porto Alegre ou em São Paulo.