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Paul Auster: meus erros e acertos até me tornar um escritor

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"Se esse livro deve ser escrito, as coisas já estão dentro de mim. Eu só preciso encontrá-las." - Paul Auster

Paul Auster é o convidado desta quarta-feira (19), no Fronteiras do Pensamento São Paulo. Dos 18 aos 23 anos, Auster escreveu algo como mil páginas. Estes cadernos foram o início da jornada de um jovem que, na adolescência, já sabia que queria ser escritor.

Contudo, as coisas não foram tão simples assim. Se estas mil páginas não estão à venda, é porque Auster passou por dificuldades típicas dos jovens escritores – ou melhor, de todos os jovens que estão iniciando suas vidas.

Se você é fã das obras do autor de A Trilogia de Nova York ou apenas um jovem bloqueado no começo da sua própria trajetória, ouça o que Auster tem a dizer.

Um dos mais elogiados escritores contemporâneos revela uma história de convicção e dom, é claro, mas de trabalho duro e de maturidade, elementos que se sobressaem em sua fala sobre como sua vida de escritor começou a florescer.

Importante: o escritor norte-americano comunicou a sua impossibilidade de viajar ao Brasil por conta de uma emergência familiar. Desta forma, o Fronteiras viabilizará a estrutura completa para uma videoconferência exclusiva, realizada diretamente de Nova York e que será projetada, ao vivo, no palco do Fronteiras.

A data, o horário e o local previamente divulgados seguem os mesmos. Confira abaixo:

- Porto Alegre: 17 de junho, às 19h45, no Salão de Atos da UFRGS
- São Paulo: 19 de junho, às 20h30, no Teatro Santander

Através de vídeo, Auster falará ao vivo com o público do projeto. Após sua conferência, responderá as perguntas da plateia presente. Convidamos você, leitor do www.fronteiras.com, a enviar sua pergunta também. Clique aqui e veja como enviar sua questão para Paul Auster.


Fique abaixo com a fala do escritor sobre sua própria história.

Paul Auster: meus erros e acertos até me tornar um escritor

Posso dizer sem hesitar que nenhum romance que escrevi terminou da maneira que eu pensei que terminaria quando comecei.

Mudei minhas ideias sobre a obra, descobri coisas que funcionavam no livro e que me levaram a lugares diferentes daqueles que eu originalmente pensava.

Fui infectado por esta doença que é escrever, pela primeira vez, quando era muito jovem. Quando eu tinha 15 anos, sabia que era isso que eu queria fazer: eu queria escrever livros.

Ao ficar mais velho, fui para faculdade. Tinha projetos ambiciosos para os romances. Queria coisas que eu estava desqualificado até mesmo para tentar naquele estágio inicial do meu desenvolvimento.

Paul Auster

Escrevi durante aqueles anos, digamos entre 18 e 22 ou 23 anos, algo como 800 ou 1.000 páginas de ficção. Tudo em cadernos escritos a mão, nem me incomodava de digitar os documentos – e eu nunca ficava feliz com os resultados.

Por volta dos 23 anos, decidi que era incapaz de escrever ficção, que eu ficaria com poesias.

O primeiro livro que escrevi, logo após a morte inesperada do meu pai, foi A invenção da solidão, um livro de não ficção. Então, eu estava pronto para voltar e tocar na ficção.

De toda forma, estes trabalhos não concluídos da minha juventude tinham as sementes de muitos dos meus livros. Cidade de vidro, No país das últimas coisas, Palácio da Lua são livros que eu estava tentando escrever e não conseguia.

Peguei aqueles cadernos da juventude e, quando havia um bom parágrafo ou uma boa frase, roubava algo que tinha escrito quando eu tinha 20 anos e colocava no trabalho que estava escrevendo 10 anos depois.

Em Cidade de vidro, a ideia de caminhar através das ruas de uma cidade e o padrão das pegadas soletrando letras do alfabeto para compor palavras, bem, isso era algo que eu cozinhava em mim mesmo quando era uma criança, mas eu ainda gostava dessa ideia e a utilizei depois.

Então, foram falsos começos, mas mesmo que a maior parte deles estivesse ruim, havia partes que valiam a pena.

Olho para trás, para aqueles anos de frustração, e penso que talvez o tempo não tenha sido perdido. Foi um aprendizado, foi meu árduo trabalho através do rigor de tentar me transformar em um escritor com um estilo e uma forma de articular as coisas.

Quando eu era jovem, quando eu tinha esses momentos de bloqueio, eu pensava: ‘o livro está morto’. Eu nunca sabia o que estava fazendo para começo de história, então nunca conseguia terminar.

Quando eu tinha bloqueios já mais velho, eu me dizia: ‘ok, está tudo bem. Isso é normal. Se esse livro deve ser escrito, as coisas já estão dentro de mim. Eu só preciso encontrá-las.'

Lembre-se: Paul Auster é conferencista do Fronteiras do Pensamento 2019 desta semana.

O escritor norte-americano ministrará sua conferência através de vídeo ao vivo, projetado no palco do Fronteiras. A data, o horário e o local previamente divulgados seguem os mesmos.

- Porto Alegre: 17 de junho, às 19h45, no Salão de Atos da UFRGS
- São Paulo: 19 de junho, às 20h30, no Teatro Santander

Assista à fala de Auster na íntegra, com legendas em inglês.