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Pierre Lévy e a essência da internet

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Filósofo francês, Pierre Lévy é um reconhecido pesquisador das tecnologias da inteligência e investiga as interações entre informação e sociedade. É autor de obras seminais para o estudo da comunicação, como A inteligência coletiva e Cibercultura.

Professor de Inteligência Coletiva na Universidade de Ottawa, há duas décadas, Lévy tem se dedicado à criação de uma linguagem universal na rede.

O projeto Information Economy Meta-Language (IEML) busca construir um sistema semântico de metadata universal situado na nuvem, uma linguagem capaz de mimetizar o funcionamento cerebral humano e de alcançar uma disrupção real na inteligência coletiva. 

Pierre Lévy estará no Fronteiras do Pensamento Salvador deste ano.

Além da conferência o filósofo francês, o projeto ainda promoverá um debate especial entre a filósofa Djamila Ribeiro e a historiadora Lilia Schwarcz. A série inicia já no dia 06 de agosto, com a conferência do escritor cubano Leonardo Padura. As vagas estão abertas e os lugares são limitados.

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Quem nos fala mais sobre Pierre Lévy é o professor e pesquisador Eduardo Campos Pellanda.

No começo da década de 1990, todos nós, da primeira geração de internautas, estávamos ávidos para tentar discutir e entender o que estava acontecendo no contexto deste novo meio de comunicação. As indagações do tipo: “Qual será o impacto em jornais, rádios e TV?", “Qual a abrangência deste ambiente de diálogo de todos para todos?" e, até mesmo, “Será que a internet é realmente um meio de comunicação ou um ambiente informacional com novas características?".

Vários autores já tinham esboçado conceitos de interatividade e relações em espaços cibernéticos, mas Pierre Lévy parecia também vislumbrar uma urgência em investigar a internet e seus desdobramentos. A obra de Lévy foi densa na última década do século passado e serviu de referência para as discussões sobre o meio e a cultura que se formava em torno dele, denominada então de cibercultura.

Em A máquina Universo Criação, cognição e cultura informática, de 1987, Lévy inicia a sua trajetória para tentar entender como computadores começavam a provocar um novo diálogo cognitivo. E, em As árvores de conhecimento, ele traça uma tese sobre como o conhecimento pode ser interligado em sistemas hipermidiáticos. Este mapa do conhecimento se constituiu em um fundamento para sistemas como o da Wikipédia.

O livro As tecnologias da inteligência foi possivelmente a obra pela qual Lévy se tornou mais conhecido no Brasil, não somente no meio acadêmico, mas também dentro das novas empresas que começavam a navegar na rede. Este livro realça três tópicos estruturais: o hipertexto, as linguagens do conhecimento e a coletividade em rede.

Nestas ênfases ele desdobra conceitos e os aplica no universo da internet. Este conjunto fez com que esta obra fosse uma das mais citadas nos pioneiros estudos sobre cibercultura no Brasil, ampliados posteriormente em Cibercultura e O que é virtual?, completando a trilogia essencial do autor.


Lévy, como todo precursor, teve dificuldade de conseguir evidenciar a importância do que estava falando na época pré-histórica da internet. Os exemplos não eram fáceis de serem visualizados e, somente agora, com as redes sociais e a internet como um todo disseminadas, as peças de seu trabalho parecem se encaixar.

O filósofo chamava a atenção para a potencialidade das interações coletivas e como isto teria impactos na sociedade. Ao mesmo tempo, dizia que o virtual era uma potência do real, e vice-versa, nos mostrando que a rede poderia expandir desde questões que sempre enobrecem o desenvolvimento humano como também propagar os nossos piores conflitos.

Hoje, ele poderia exemplificar tudo isso com a facilidade de mostrar somente os casos ao nosso redor. Mas, como pioneiro inquieto, tem preferido continuar buscando algo que ainda é difícil de compreender: uma nova linguagem universal.

*Eduardo Campos Pellanda é Pós-doutor pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Pesquisador e professor da PUCRS.