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Sete conselhos de Paul Auster para que você se torne um escritor

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Paul Auster é conferencista do Fronteiras 2019
Paul Auster é conferencista do Fronteiras 2019

Lançado em 2017, o livro A Life in Words [Uma Vida em Palavras] apresenta um extenso diálogo entre Paul Auster e a professora dinamarquesa I. B. Siegumfeldt.

Escrito ao longo de três anos, o livro é uma profunda investigação sobre a vida e a obra do escritor norte-americano, algo que parecia impossível vindo de alguém que declaradamente assumiu que um autor não pode analisar o próprio trabalho.

Paul Auster não é um homem de entrevistas. Ele afirmou isso em seu romance Sunset Park. Um dos personagens da obra, Morris Heller, escreve em seu diário o seguinte:

“Os escritores jamais deveriam falar com jornalistas. A entrevista é uma forma literária degradada que não serve para nada, exceto para simplificar o que jamais deve ser simplificado”.

sunset park livro de paul auster

Por que, então, Auster decidiu falar sobre si mesmo, esmiuçar sua obra e enfrentar suas próprias entranhas literárias com I.B. Siegumfeldt em A Life with Words?

“Heller se referia às entrevistas breves e superficiais às quais os escritores se submetem para agradar seus editores (...). Tais conversas estão inevitavelmente ligadas ao comércio, à divulgação dos livros”, lamenta Auster.

Auster tem duas motivações para cruzar essa dolorosa autoinvestigação. A primeira é o fato de que, nos mais de 40 livros (sem falar nas centenas de artigos) já publicados sobre a sua obra, ele se deparou com erros que o fizeram ranger os dentes. 

A outra razão é, se assim podemos dizer, muito mais emocional. Ele deseja “desemaranhar as ideias distorcidas” sobre sua suposta influência na obra de Siri Hustvedt, esposa de Paul Auster.

“Estão circulando diversas ideias equivocadas segundo as quais eu a teria apresentado ao estudo de Freud e à psicanálise, que eu ensinei a ela tudo o que sabe sobre Lacan... Tudo isso é falso”.

Quando saiu o primeiro romance de Hustvedt, disseram-lhe que era impossível que ela tivesse escrito o livro. Essa desconfiança machuca o autor. “Ela é a intelectual da família, não eu. Tudo o que sei sobre Lacan e Bakhtin, por exemplo, aprendi diretamente com ela”.


Paul Auster é um dos convidados do Fronteiras do Pensamento. Em 2019, o projeto promove oito conferências presenciais em Porto Alegre e São Paulo com grandes nomes do pensamento contemporâneo: Graça Machel, Paul Auster, Roger Scruton, Denis Mukwege, Janna Levin, Werner Herzog, Contardo Calligaris e Luc Ferry.

As conferências deste ano estarão centradas em uma das mais atemporais questões humanas, que retorna com força total nos dias atuais: quais são os sentidos da vida?

Os ingressos já estão à venda.

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Motivos e explicações de Auster apresentados, listamos abaixo algumas dicas centrais sugeridas por Auster na obra A Life with Words... Para ajudar no seu caminho, caso seu sentido de vida seja se tornar um grande escritor - como Paul Auster. 

Sete conselhos de Paul Auster para que você se torne um escritor


1. O estilo não existe

Paul Auster acredita que “cada livro tem uma música diferente da dos outros”, como sugeriu na conversa com I. B. Siegumfeldt sobre Sunset Park. Sua preocupação – ou melhor, obsessão – é encontrar a forma certa de contar uma determinada história. Ele não confia na fidelidade a um único som: o som depende dos elementos do relato.

 2. Escrever sem ego

Auster diz se sentir o tempo todo “à beira do fracasso” ou, ao menos, carrega essa sensação com dignidade. Sua entrevistadora garante que ele “é realmente humilde frente às suas próprias dúvidas”. “Ando aos trancos e barrancos, sério”, diz na conversa sobre A Invenção da Solidão.

“Na realidade, sempre estou imerso em incertezas”. Isso é, segundo Segumfeldt, o que os críticos e detratores não costumam entender a respeito da obra de Auster.

3. Esquecer-se dos estudos literários

O escritor confessa que sua educação literária acabou criando um bloqueio. “Era mais um peso do que uma ajuda”, lamenta. Ele se refere aos seus estudos na Universidade de Columbia e à “minuciosa análise de textos que os estudantes de literatura empreendem”.

“Eu havia chegado a tal ponto de contenção que, de certo modo, achava que todo romance precisava estar pensado completamente de antemão, que cada sílaba devia produzir uma espécie de eco filosófico ou literário, que um romance era uma grande máquina de pensamento e emoção que podia ser analisada até o último fonema de cada frase”.

Era um exagero, ele aponta. “Eu não havia compreendido que o inconsciente desempenha um papel tão amplo na construção de histórias. Ainda não havia percebido a importância da espontaneidade e da inspiração súbita".

4. Não ficar obcecado com a “identidade” dos personagens

Auster não acredita que as identidades existam. Ao invés disso, acredita que “todo ser humano é um espectro”. “Passamos boa parte de nossas vidas em seu centro, mas há momentos em que flutuamos para as extremidades e percorremos esse espectro de matizes, de uma cor a outra, em diferentes momentos, de acordo com nosso estado de ânimo, com nossa idade e com as circunstâncias”. Não há identidade, mas sim uma “consciência de si mesmo”.

Ele aponta o caso dos pacientes com lesão cerebral que perderam a capacidade de “contar suas histórias a si mesmos”: “O fio se rompeu e eles já não têm personalidade. Deixaram de ser um ‘eu’. São seres fragmentados. Acho que o que mantém a integridade do ser humano é a narrativa interior. Leio o tempo todo coisas sobre a busca por uma identidade em meus personagens, mas não sei o que isso significa: a única busca deles é por uma forma de viver, uma maneira de tornar a vida possível para si mesmos. Com contradições”.

5. Vaguear

Auster diz que o truque para escrever é: primeiro, confinar-se; depois, vaguear. “Ficar ao ar livre e se movimentar pelo espaço ou ficar confinado em um espaço circunscrito. Também, ficar sentado em uma sala, escrevendo ou pintando", exemplifica. Para ele, escrever e pintar são atos que substituem o movimento através do espaço.

"Se você passa todos os dias de sua vida sentado em uma sala com uma folha de papel à sua frente, chegará o momento em que você precisará fazer a barba. Você começa a pensar no seu entorno e no mecanismo que você utiliza para explorar os mundos interior e exterior. Assim, a sua imaginação pode florescer, sobretudo em condições tão austeras: mesa, poltrona, folha, caneta e uma pessoa sentada diante dessa mesa."

6. Citar outros

É uma questão de generosidade, de humildade. “Não me refiro exclusivamente à família e aos amigos. Me refiro também às pessoas cuja obra você leu. Elas fazem parte de quem somos. Em determinado momento, compreendi que um livro sobre a solidão precisa ser, em certo sentido, uma obra coletiva. Por isso, cito tão livremente outros autores: porque fazem parte das conversas internas (...) Falo com eles e eles falam comigo. É um diálogo com outros escritores. Todos são autores que significam muito para mim."

7. A máxima

No livro, Auster confessa que sua máxima na hora de escrever é: “Tudo vem de dentro e é colocado para fora. Jamais o contrário. A forma não precede o conteúdo. O material encontrará sozinho sua própria forma à medida que você for trabalhando”.

Garanta sua presença nas oito conferências do Fronteiras do Pensamento 2019. Venha refletir sobre os sentidos da vida com grandes mentes da contemporaneidade. Conferências presenciais com Graça Machel, Paul Auster, Roger Scruton, Denis Mukwege, Janna Levin, Werner Herzog, Contardo Calligaris e Luc Ferry.

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