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Werner Herzog discute relação entre vida e cinema no Fronteiras [assista aos clássicos do diretor]

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De um pequeno vilarejo na Baviera aos maiores festivais de cinema do mundo. O cineasta Werner Herzog tem mais de 60 filmes no currículo e é aclamado como um dos expoentes do novo cinema alemão.

Herzog é um dos conferencistas confirmados nesta temporada do Fronteiras do Pensamento. Em 2019, o Fronteiras propõe uma reflexão sobre os sentidos da vida e Herzog não poderia ficar de fora deste debate. Por quê?

“Em um tempo em que tudo é fake, virtual e digital, Herzog trouxe de volta a ideia de que o cinema é o registro da experiência humana mais básica”, explica seu amigo, o diretor Volker Schlondorff. “Werner nos permite que apenas vejamos o mundo”.

Mundialmente conhecido por escrever, dirigir e produzir seus próprios filmes com baixos orçamentos, as obras de Herzog são repletas de reflexões metafísicas e geralmente se passam em locais desconhecidos, escolhidos a dedo por sua capacidade de transmitir o misticismo necessário aos seus questionamentos – que serão os nossos, no palco do Fronteiras do Pensamento 2019. Neste ano, o Fronteiras também traz ao Brasil Graça Machel, Paul Auster, Roger Scruton, Denis Mukwege e outras grandes mentes atuais.

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WERNER HERZOG | O primeiro filme de Werner Herzog foi feito aos 19 anos, em 1962. Mas, foi na década seguinte que o jovem despontou com os longas Aguirre, a cólera dos deuses (1972), Nosferatu, o vampiro da noite (1979) e O enigma de Kaspar Hauser.

Aguirre >> Primeiro filme da lendária parceria entre o cineasta Werner Herzog e o ator Klaus Kinski, Aguirre, a cólera dos deuses é uma das obras seminais dos anos 70. O filme mostra as aventuras de uma expedição espanhola liderada pelo impiedoso e insano conquistador espanhol Don Lope de Aguirre que, no século XVI, nas florestas do Novo Mundo, busca a cidade de El Dorado. A obra é inspirada nos escritos autobiográficos do Frei Gaspar de Carnaval, um padre dominicano espanhol.

Assista ao filme abaixo.


Nosferatu >> Em 1979, Herzog lança sua versão de Nosferatu. As paisagens sombrias e a música intimista tornam o filme tão impactante quanto o original, de Murnau (1922). Ao lado do ator Klaus Kinski (o vampiro), surge Bruno Ganz, recentemente falecido (em fevereiro de 2019), e Isabelle Adjani, como Lucy. Com este time imbatível de artistas, Herzog nos mostra que é possível traduzir para novos tempos uma obra essencial à história do cinema.

Assista abaixo ao filme Nosferatu, o vampiro da noite.


Kaspar Hauser >> Entre estas duas obras, em 1974, Herzog lança O enigma de Kaspar Hauser. O mistério, envolvendo a história real do jovem que passou 16 anos de sua vida em cativeiro, rendeu ao diretor alemão três prêmios em Cannes, em 1975. Kaspar Hauser consolida uma das marcas de Herzog: protagonistas fortes, muitas vezes com talentos fora do normal ou com sonhos aparentemente impossíveis.

Assista ao filme O enigma de Kaspar Hauser abaixo.


Sonhos impossíveis são a marca de Herzog. “Ele sempre quis fazer o impossível”, disse Claudia Cardinale, protagonista feminina em Fitzcarraldo (1982).

Fitzcarraldo >> Fitzcarraldo é a realização do impossível nos mais incríveis sentidos. Na história, um aventureiro europeu tem a missão de construir um teatro de ópera no meio da Amazônia. A própria produção parecia impossível: foram quatro anos para completar a obra mais difícil da carreira de Herzog.

Dois atores não aguentaram as filmagens na selva e 40% do longa teve que ser rodado novamente. No meio da empreitada, estavam os brasileiros Grande Otelo e José Lewgoy. Todo este esforço garantiu a Werner Herzog a Palma de Ouro em 1982.

Assista ao filme Fitzcarraldo abaixo (sem legendas):


Mundialmente reconhecido como um dos maiores documentaristas da história, Herzog tem uma obra que se alterna entre documentários e ficções, alcançando uma média de quase um filme por ano.

Em 2009, ele lançou seu olhar a um projeto pessoal, Meu melhor inimigo (2009), onde conta sua conturbada relação com Klaus Kinski. Em 2005, O homem urso, que seguia o trabalho do ambientalista Timothy Treadwell, que viveu e morreu com os ursos para estudar estes animais.

Em 2010, lançou A caverna dos sonhos esquecidos, que explora alguns dos primeiros desenhos humanos encontrados em paredes de cavernas no sul da França. No mesmo ano, Happy people: a year in the Taiga, codirigido com Dmitry Vasyukov, onde os diretores mostram a vida em uma vila da Sibéria.

A lista de documentários prossegue, mas as obras ficcionais de Herzog também merecem destaque.

Em 2006, ele criou um campo de guerra nas florestas da Tailândia para a obra O sobrevivente, estrelado por Christian Bale. O filme conta a história real de um piloto alemão chamado Dieter Dengler que, combatendo pela Marinha dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã, sofre um acidente e é capturado por guerrilheiros nas selvas do Laos.

Ao longo dos anos, Herzog continuou a criar suas produções inusitadas e a tomar decisões bem-sucedidas. Em 2009, a obra Vício frenético, que contava com Nicholas Cage como protagonista, revisita o papel de um policial viciado que já havia sido interpretado por Harvey Keitel em 1992, na obra homônima dirigida por Abel Ferrara.

Descrito pela crítica de cinema norte-americana Janet Maslin como um “poeta da desgraça”, o jovem que estudou história, literatura e música e que desvendou os mistérios das mais peculiares culturas do planeta acabou se tornando um dos maiores e mais controversos diretores da história.