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Janette Sadik-Khan: soluções urbanas para novos tempos

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Janette Sadik-Khan e funcionários do Departamento de Transportes de NY (foto: Stephen Mallon/DOT)
Janette Sadik-Khan e funcionários do Departamento de Transportes de NY (foto: Stephen Mallon/DOT)

Internacionalmente reconhecida por ter priorizado os pedestres e revolucionado o sistema de transportes de Nova York, entre 2007 e 2013, período em que foi secretária de transporte da cidade, Janette Sadik-Khan supervisionou uma série de projetos inovadores como o programa de Plazas de New York, que fechou a Times Square e Broadway para carros. Janette criou mais de 60 novos espaços de convivência, sete rotas exclusivas de serviço de ônibus e implantou o maior programa de compartilhamento de bicicletas dos Estados Unidos. Ela também foi a responsável pela a criação de 600 km de infraestrutura cicloviária. Para fazê-lo, organizou dois mil encontros por ano, em média, para discutir com moradores as rotas das ciclovias e outros projetos.

"Nos empenhamos em dialogar com comerciantes, moradores e outras partes interessadas. O objetivo era entender a preocupação de cada um", contou em entrevista para a Folha de S.Paulo. Leia abaixo:

Folha - Que tipo de oposição a sra. enfrentou ao iniciar a expansão das ciclovias?
Janette Sadik-Khan - Quando você cogita eliminar uma vaga pública, há sempre o cidadão que reage como se estivesse perdendo um filho. Nosso plano foi conectar uma rede de ciclovias por toda a cidade e isso exigiu mudanças no formato das ruas. Projetamos algumas rotas principais, incluindo nesse trajeto as pontes e tendo a preocupação de criar conexões com áreas comerciais. Não se tratava apenas de construir novas ciclovias. Com as ciclovias, você torna a cidade mais segura não apenas para os ciclistas, mas para todos os que estão na rua.

Qual foi a participação da população nesse processo?
Nos empenhamos em dialogar com comerciantes, moradores e outras partes interessadas. O objetivo era entender a preocupação de cada um. Se o problema era estacionamento, procurávamos alternativas para vagas. Para os caminhões de entrega, pensamos em horários alternativos de embarque e desembarque. Foi um longo caminho para encontrar as soluções adequadas para cada caso. Mesmo assim, sempre existe uma parcela da população contrária a qualquer tipo mudança, que rejeita esse tipo de intervenção do poder público.

Quantas audiências públicas foram feitas antes de executar cada novo trecho de ciclovia?
Foram 2.000 encontros por ano, em média, para ouvir as pessoas a respeito de ciclovias e sobre outros projetos associados ao trânsito. Mudamos esse conceito de participação popular. Organizamos reuniões nas casas das pessoas ou mesmo nas calçadas. Fomos de porta em porta para falar sobre projetos como as novas ciclovias.

A sra. se surpreendeu com algum tipo de reclamação?
Encontrei oposição às ciclovias no bairro de Williamsburg (no Brooklyn), onde existe uma grande comunidade judaica ortodoxa. Havia entre eles a preocupação de que a ciclovia atraísse meninas, usando saias curtas ao pedalar. Era, portanto, uma questão cultural. Dentro do possível, nós tentamos adequar nossos planos às necessidades das comunidades.

Qual sua sugestão para melhorar o tráfego em São Paulo?
Não conheço São Paulo o suficiente para dizer o que deve ser feito. De uma maneira geral, o principal desafio para qualquer grande cidade é melhorar a qualidade de vida de seus cidadãos, e isso exige investimentos no aumento da rede de metrô, na eficiência do sistema de ônibus urbanos e em soluções como as ciclovias. E, claro, é essencial integrar todo esse conjunto.

(via Folha de S.Paulo)