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Joseph Stiglitz: a desigualdade é uma escolha

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Joseph Stiglitz (foto: Innovasjon Norge / Ashkan Bayat)
Joseph Stiglitz (foto: Innovasjon Norge / Ashkan Bayat)

Como os Estados Unidos se tornaram o país avançado mais desigual do mundo e o que podem fazer a respeito?

Em seu mais recente livro, The great divide: unequal societies and what we can do about them, Joseph Stiglitz, Nobel de Economia, argumenta que a desigualdade é uma escolha – é o resultado cumulativo de políticas injustas e prioridades mal direcionadas. De Reagan à recessão da primeira década do século 21, Stiglitz investiga as políticas que considera irresponsáveis e que estariam tornando o sonho norte-americano em um mito intangível.

Trazendo lições da Escandinávia, de Singapura e do Japão, o professor da Universidade de Columbia tenta encontrar soluções práticas como aumentar impostos de corporações e dos ricos, oferecer mais ajuda às crianças pobres, investir em educação, ciência e infraestrutura e reduzir o nível de desemprego.

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Em entrevista, Stiglitz comenta o livro The great divide. Assista no Huffington Post:

"Para entender que [a desigualdade] é uma escolha, precisamos compreender que as forças econômicas que permeiam a desigualdade são as mesmas em todos os países do mundo. Todos os países enfrentam as mesmas forças econômicas. E, mesmo assim, nós escolhemos, de forma impensada – preciso dizer – escolhemos criar uma maior desigualdade do que em outros países. Então, a pergunta é: como fazemos estas escolhas? Como isso acontece?

Acontece passo a passo. Não é como se tivéssemos decidido criar esta desigualdade em algum determinado momento. Não tínhamos esta intenção. Para mim, o grande ponto de divisão, o grande momento foi em torno de 1980, quando tentamos um novo modelo econômico. Um modelo que funcionou muito bem da Segunda Guerra até o início dos anos 1970. Tivemos o período de crescimento mais rápido da história, a economia se reintegrou, cada parte da nossa economia viu sua renda aumentar e as baixas rendas cresceram mais do que as altas. Nós tentamos outro modelo econômico. Era chamado Economia pelo lado da oferta [...]

A promessa era: não se preocupe com a distribuição de renda. Se conseguirmos aumentar a renda geral, mesmo que você receba uma fatia menor, a renda será tão maior, que todos se beneficiarão. Bom, agora, temos mais de um terço de século de evidência sobre isso. E não funcionou. Não funcionou de uma forma, mas funcionou de outra: de fato isso levou ao aumento da desigualdade, mas não levou ao crescimento geral da renda. O resultado disso é que não apenas as mais baixas ou altas rendas, mas até as médias viram sua fatia diminuir. Ao ponto que a renda média das pessoas hoje é menor do que a de um quarto de século atrás. Isso é notável. A economia dos Estados Unidos não está dando conta da maioria dos norte-americanos."