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Niall Ferguson: “Não pare de ler livros só porque seu smartphone se tornou inteligente”

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Niall Ferguson no Fronteiras São Paulo (foto: Greg Salibian)
Niall Ferguson no Fronteiras São Paulo (foto: Greg Salibian)

Niall Ferguson não é um historiador que peca pelo excesso de sutilezas. Ele escreve livros grandes e vistosos, com argumentos que vão direto ao ponto, abordando preocupações atuais através do prisma do passado.  

A missão de Ferguson é dar base ao conhecimento, porque, para ele, uma sociedade que não conhece a própria história, está fadada a erros – aos erros que temos cometido atualmente.  

“Se há algo que realmente precisamos fazer é aprender com a história. Hoje em dia, elegemos pessoas para cargos políticos que são completos ignorantes com relação à história. Podemos, por favor, mudar isso?”, diz o britânico em entrevista exclusiva à Braskem, patrocinadora dos canais digitais do Fronteiras do Pensamento.  

Para divulgar a relevância da história, Ferguson vai além dos livros: televisão, internet, rádio, jornais e revistas se unem às lições do britânico para ajudar o mundo a se interessar pelo passado.  

Contudo, defende ele, as novas mídias (e as “velhas”) não são suficientes em si. Os livros seguem como o grande fundamento do conhecimento.  

“Tenho acreditado no uso da televisão e da internet para tentar comunicar minhas ideias, sem falar nos jornais, revistas, rádio, seja o que for, eu já tentei de tudo. Mas, no fim das contas, se você não ler livros, não conseguirá aprender a história de fato ou nenhuma das coisas que considero importantes”, argumenta na entrevista.  

>> Assista a todos os vídeos com Niall Ferguson em nosso site

Os livros de Ferguson servem de alerta para que o presente conheça os precedentes históricos e consiga se organizar a partir disso. 

Na obra Civilização, ele explica que a Europa sobrepujou os impérios do Oriente devido a seis valores - competição, ciência, direito de propriedade, medicina, consumo e ética do trabalho -, e pergunta se o Ocidente continua tendo condições de dominar o mundo. 

Já no livro A Grande Degeneração, ele descreve o colapso das instituições que serviram de base para o sucesso do Ocidente.  

Em seu trabalho mais recente, A praça e a Torre: Redes, Hierarquias e a Disputa pelo Poder Global, ele mostra o mundo como uma disputa entre duas forças organizacionais distintas – as hierarquias e as redes. E chama de “falso mito” a promessa de que um mundo hiperconectado seria capaz de solucionar os desafios sociais.

Segundo Ferguson, não existe uma força melhor do que a outra: estruturas hierárquicas são necessárias para manter a ordem e a segurança, mas as redes também são necessárias se a inovação for nosso objetivo. Portanto, não se trata de escolher uma vencedora, mas sim estar atento ao que estes poderes estão fazendo a cada momento.  

“O mundo vê, hoje, um conflito extraordinário entre tipos de poder à moda antiga, como o poder de Xi Jinping, o líder do Partido Comunista Chinês, e o novo poder das redes sociais, personificado em Mark Zuckerberg, o criador do Facebook. Não sei quem vencerá essa disputa e, às vezes, me pergunto se eles não unirão forças contra o resto de nós”, explica o historiador na entrevista que você assiste logo abaixo.



livro niall ferguson

Acesse o libreto especial sobre a vida e a obra do historiador Niall Ferguson

O libreto inclui breve biografia e informações de destaque sobre o intelectual britânico.
Também traz um trecho de Civilização: Ocidente x Oriente, livro lançado em 2017 pela editora Planeta.