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O gênio de Darwin: Richard Dawkins entrevista Steven Pinker

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Steven Pinker e Richard Dawkins (foto: 
The Richard Dawkins Foundation for Reason and Science)
Steven Pinker e Richard Dawkins (foto: The Richard Dawkins Foundation for Reason and Science)

Em 2008, a premiada série de TV The genius of Charles Darwin, escrita e apresentada pelo biólogo inglês Richard Dawkins, explorou a teoria da seleção natural e alguns problemas na compreensão da teoria que persistem até hoje. No documentário, Dawkins entrevistou biólogos, filósofos, clérigos, analistas financeiros, professores e psicólogos.

As 26 entrevistas contam com Steven Pinker, Peter Singer, Daniel Dennett, Craig Venter, entre outros. Na série, as entrevistas foram editadas, mas diversas estão disponíveis na íntegra no YouTube, no canal oficial da Richard Dawkins Foundation (clique nos links acima para assisti-las). Assista abaixo à entrevista de Dawkins com Steven Pinker extraída de The genius of Charles Darwin. Leia a transcrição:

Richard Dawkins abre a temporada de conferências do Fronteiras do Pensamento nesta próxima semana. Em Porto Alegre, o biólogo britânico sobe ao palco do Auditório Araújo Vianna na segunda-feira, dia 25 de maio. Em São Paulo, Dawkins estará no Teatro Cetip - Complexo Ohtake Cultural, na quarta-feira, 27 de maio.

Richard Dawkins: Agora, quero conversar com alguém que tem conhecimento sobre a nossa psicologia evoluída. Olá Steve, bom te ver. Quando ensinamos a respeito de evolução, nós naturalmente tendemos a focar na anatomia, mas você poderia igualmente dizer que nossa psicologia, isto é, nossas mentes, são órgãos ou sistemas de órgãos evoluídos, não?
Steven Pinker:
Sim, e temos razões para crer que a mente é produto da atividade cerebral, e casualmente tenho um cérebro para mostrar. E fica claro que o cérebro é um órgão que possui uma história evolutiva; todas as partes do cérebro humano podem ser encontradas no cérebro de um chimpanzé ou de outros mamíferos. E também sabemos que o cérebro não é apenas uma rede neural aleatória.

Temos razões para acreditar que muitos dos produtos do cérebro, como a nossa percepção, nossas emoções, nossa linguagem e nossas formas de pensar são estratégias para negociar com o mundo, sobreviver, criar filhos, encontrar parceiros, negociar relacionamentos e assim por diante.

Richard Dawkins: Creio que todos podem entender porque o desejo sexual tem um valor de sobrevivência Darwinista. Você quer dizer que os mecanismos de culpa ou confiança são um pouco como o desejo sexual, digo, existe o desejo de confiar ou isso é outra coisa?
Steven Pinker:
De fato, isso existe. E as pessoas parecem não ter problema em aceitar explicações Darwinistas para emoções que são desencadeadas pelo mundo físico, tais como medo de altura, de cobras, de aranhas, do escuro, de águas profundas ou de nojo em relação a secreções corporais que possam estar carregando carne podre e assim por diante.

Mas, elas seguidamente se demonstram mais surpresas ou até resistentes em relação à ideia de que algumas de nossas emoções morais possam vir a ter uma base evolutiva, como confiança, simpatia, gratidão. Porém, em minha opinião, da mesma forma que está claro que o medo tem uma base evolutiva, nossas emoções morais podem ser analisadas da mesma forma.

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