Voltar para Entrevistas

Richard Dawkins: quando a religião se encontra com a motivação política

As ideias que movem o mundo em um único lugar. Cadastre-se e receba mensalmente o melhor do Fronteiras

Cadastrado com sucesso
Richard Dawkins (foto: Doriane Raiman/NPR)
Richard Dawkins (foto: Doriane Raiman/NPR)

No final de 2014, um ataque do Talibã à cidade paquistanesa de Peshawar matou mais de 140 pessoas. Dentre elas, 132 crianças. Sobre este ato extremista, o cientista britânico Richard Dawkins alertou: “Religiões da revelação não são insanidades sem prejuízos, elas podem ser insanidades mortalmente perigosas. Perigosas, porque dão às pessoas uma confiança inabalável sobre suas convicções. Perigosas, porque dão falsa coragem de se matarem, o que automaticamente remove as barreiras para matarem os outros. Perigosas, porque ensinam a inimizade com relação àqueles marcados apenas por uma diferença de tradição herdada."

Richard Dawkins é o conferencista inaugural do Fronteiras do Pensamento 2015. Em Porto Alegre (vagas esgotadas), o biólogo sobe ao palco do Auditório Araújo Vianna no dia 25 de maio. Em São Paulo, Dawkins profere sua conferência no Teatro Cetip - Complexo Ohtake Cultural, dia 27 de maio. Últimas vagas para a temporada paulista. Adquira seu pacote de ingressos no site da Tickets for Fun ou na bilheteria do Teatro Cetip.

Desde então, Dawkins tem sido convidado para falar sobre o radicalismo islâmico em diversos veículos internacionais. Em entrevista à Russia Today, o cientista britânico analisou a violência do Estado Islâmico sob a ótica evolucionista. Perguntado sobre a banalidade com que o grupo radical trata a vida humana, se isso não iria contra instintos básicos da espécie, Dawkins argumentou que o sentido de vingança está previsto na evolução humana: “Existe uma ótima teoria evolucionista da reciprocidade, em que a vingança tem um papel. Então, pode haver uma escalada da vingança, que pode atravessar muitas gerações. Você vê a vingança em inúmeras sociedades, sociedades influenciadas pela máfia e outras pelo mundo. Matar de forma hedionda é geralmente motivado por uma vingança familiar ou tribal. Existe um tipo de pseudo-tribalismo que utiliza a religião como marca. Suspeito que algumas destas pessoas pensam que esta violência hedionda é vingança contra, digamos, a América, por atacar o Iraque e formar alianças com, talvez, Israel. E esta vingança se dirige a pessoas inocentes."

Sobre a quantidade de jovens que deixam seus países de origem para se unir aos grupos terroristas, Dawkins enfatiza que a religião pode ser uma desculpa que se soma a motivações políticas: "A religião é responsável? A religião em si não é responsável por isso. Falamos de pessoas selvagens. Você pode perguntar se a religião é responsável pelo apoio que eles estão conquistando. Provavelmente sim. Digo, eles estão conseguindo apoio de pessoas do Reino Unido, da Europa, e jovens estão saindo em direção à Síria e ao Iraque para se unirem ao Estado Islâmico. E a motivação para isso é, em algum sentido, religiosa, mas também é este sentimento de envolvimento político. É um sentimento de 'nós contra eles'. Penso que há um grande número de jovens muçulmanos que se sentem cercados, contra o resto do mundo."

Assista à entrevista Fé na razão, com Richard Dawkins, no site da RT (transcrição da entrevista disponível no site)