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Wim Wenders: "Smartphones mataram a fotografia"

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Premiado cineasta alemão Wim Wenders
Premiado cineasta alemão Wim Wenders

Smartphones criaram uma geração em que todos são fotógrafos. Há apenas 100 anos, ter uma câmera e saber usá-la era um feito digno de aplausos. Hoje, quase todos carregam uma câmera em seus bolsos - e a necessidade de grandes estudos para operá-la, bem, quase não existe.

Em um curto vídeo sobre o panorama da fotografia atual, gravado em uma exposição de suas polaroids, Wim Wenders diz que a fotografia "está mais morta do que nunca" e que os smartphones são a causa principal para isso. Ele acredita que parte da desvalorização da arte vem do fato de que, apesar de tantas imagens estarem sendo capturadas a cada ano, poucas estão sendo apreciadas da maneira como eram antes.

Mesmo que os telefones estejam sendo carregados com mais e mais recursos e filtros, Wenders também diz que eles podem não estar ajudando as pessoas a se tornarem fotógrafos criativos. “Eu sei por experiência própria que, quanto menos você tem, mais criativo você tem que se tornar”, observa. "Talvez, não seja exatamente um sinal de criatividade que você possa inverter as cores de sua imagem."

Mesmo assim, ele não faz objeção ao uso dos telefones para tirar fotos e até admite que tira algumas selfies ocasionalmente, mas selfies estão longe de serem fotografia, argumenta. "Olhar no espelho não é tirar uma fotografia".

Então, o que são estas quase 100 milhões de fotos postadas diariamente no Instagram? "Estou em busca de uma nova palavra para esta atividade que tanto se parece com fotografia, mas que não é mais fotografia", afirma o diretor.


(Via Open Culture e PetaPixel)

Wim Wenders é um dos mais emblemáticos cineastas e produtores da Europa. Seus filmes como Paris, Texas (1984) e Asas do desejo (1987) foram aclamados pela crítica, recebendo vários prêmios em festivais de cinema internacionais. 

Conferencista do Fronteiras em 2008, Wenders foi objeto de uma proposta ousada do Fronteiras do Pensamento, com produção audiovisual da V2: participar de uma releitura de seu próprio filme, Quarto 666, apresentado em Cannes, em 1982. A obra De volta ao Quarto 666, convida o cineasta alemão a discutir o cinema, tal como fez em seu filme original. Assista ao curta na íntegra:

De volta ao Quarto 666 foi vencedor de Melhor Filme da Mostra Gaúcha no 37º Festival de Cinema de Gramado e do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro na categoria Melhor Curta-metragem Documentário.