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"A ciência pode ser pop", defende professora de História e consultora do Fronteiras do Pensamento

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A cada ano que passa, o Fronteiras do Pensamento reafirma o seu compromisso com o público amplo que o frequenta, apresentando temas dos universos mais próximos e, ao mesmo tempo, mais distantes da produção do conhecimento.

Basta perceber as abordagens recentes dos temas ditos mais "científicos" das edições de anos anteriores: dos oceanos profundos ao mapeamento do cérebro; da inteligência artificial à cura de doenças com o material genético que carregamos em nós mesmos, seguindo em direção ao surgimento do universo, o Fronteiras tem buscado apresentar temas que são alvo de pesquisas de ponta das mais avançadas e prementes no que diz respeito ao ser humano e ao seu entorno.

Na programação de 2014, Geoffrey West, Paul Bloom e Brian Greene representam a ala do conhecimento científico como o reconhecemos ainda, dentro de suas especificidades vinculadas ao "complexo" e ao "difícil", principalmente no universo da física, da química e da biologia.

O desafio deste ano é aproximar um público curioso, mas não acadêmico e científico, de temas que articulam o altamente sofisticado de pesquisas em laboratórios de última geração às questões sociais que nos rodeiam, como a engenharia das grandes cidades; o relacionamento com o mundo à nossa volta desde a infância; as grandes leis do universo e, principalmente, as transformações que vêm ocorrendo nas concepções mais tradicionais da física, como a Teoria das Cordas, em que noções como as de dimensão estão sendo paulatinamente repensadas.

Geoffrey West é um exemplo de como as ciências ditas "duras" - como a física - interagem com o conhecimento de caráter mais sociológico. Professor no Imperial College em Londres, West direcionou suas pesquisas pioneiras às cidades, buscando encontrar modelos científicos que avaliam os conglomerados urbanos como resultantes finais de interações sociais originadas inicialmente nas partículas elementares - que não possuem nenhuma subestrutura, chegando aos quarks - e que acabam tendo, segundo o físico, implicações cosmológicas, atuando na estrutura, na evolução e na composição de todo o universo. West acredita que a diversidade é a grande chave para cidades mais justas e desenvolvidas, demonstrando como ciência e vida cotidiana estão diretamente conectadas.

Já Paul Bloom é um estudioso dos primeiros meses e anos de vida dos seres humanos. Suas pesquisas iniciadas no MIT e que se desenvolvem em Yale, onde é professor, têm como objetivo estudar o comportamento dos bebês em sua interação com a arte e o mundo da ficção. Alguns dos resultados sugerem que nosso julgamento moral não surge de padrões instintivos ou meramente viscerais, como durante muito tempo se acreditou, mas de uma cadeia de relações que os bebês vão desenvolvendo desde o seu nascimento. Para ele, é a razão que rege as descobertas morais mais antigas, dotando, portanto, os seres humanos em sua mais primordial experiência de capacidade de avaliação e discernimento.

Brian Greene é um exemplo da popularização de conceitos científicos considerados extremamente complexos. Abordando de forma simples e didática a Teoria das Cordas e das Supercordas, Greene tem sido um amplo divulgador e esclarecedor das questões mais profundas da física na contemporaneidade. Atuando em campos que vão dos fundamentos da relatividade e da física quântica à física do multiverso e dos universos paralelos, Brian Greene vai nos aproximar de O universo elegante, seu livro premiado pela Royal Society.

Do elementar ao cosmos, passando pelas reações de bebês, chegando às megacidades, encontraremos no Fronteiras do Pensamento 2014 a ciência como portal para acessar um conhecimento que segue rompendo barreiras entre o erudito e o popular, tornando a existência mais dinâmica, colorida e, por que não, divertida.

Leia o texto de Joana Bosak no site do Fronteiras do Pensamento, na Zero Hora