Voltar para Notícias

A desconhecida história de amizade entre Ian McEwan e Salman Rushdie

As ideias que movem o mundo em um único lugar. Cadastre-se e receba mensalmente o melhor do Fronteiras

Cadastrado com sucesso

Você sabia que o escritor britânico Ian McEwan abrigou Salman Rushdie poucos dias após sua sentença de morte ser lançada pelo aiatolá Khomeini, em 1989? Dias após a declaração da fatwa, Ian McEwan levou Rushdie para uma cabana em Cotswolds, cadeia de pequenas colinas no centro da Inglaterra, onde ambos os escritores se refugiaram: “Nunca esquecerei", fala McEwan ao The New Yorker sobre a manhã seguinte ao exílio de Rushdie.

“Acordamos cedo. Ele precisava seguir em frente. Foram tempos terríveis para ele. Ficamos na cozinha fazendo torradas e café, escutando as notícias das 8h na BBC. Ele estava parado ao meu lado e era o tema central do noticiário. O Hezbollah havia colocado sua sagacidade e peso no projeto para matá-lo. Eu estava próximo das lágrimas, mas não queria que ele visse."

Aquela foi a primeira vez que McEwan confrontou o extremismo islâmico. De lá para cá, o escritor se tornou um dos diversos escritores britânicos engajados na questão. Seus textos críticos ao Islã aparecem em veículos como The Guardian, The Telegraph. No site Free Speech Debate, projeto que incentiva a liberdade de expressão, criado por outro conferencista do Fronteiras, Timothy Garton Ash, McEwan afirma:

"A liberdade que permitiu que os editores e jornalistas do Charlie Hebdo fizessem sua sátira foi a mesma liberdade que permitiu que muçulmanos na França expressassem suas visões abertamente. O devoto não pode ter dois pesos e duas medidas. A liberdade de expressão é difícil, machuca muitas vezes, mas é a única alternativa quando tantas visões de mundo precisam coexistir em meio à intimidação, à violência e aos conflitos amargos entre comunidades.

A importância da liberdade de expressão não pode ser subestimada. Não é mero luxo de jornalistas e escritores. Tampouco é absoluta. Onde ela é limitada (por exemplo, no alcance de conteúdo online por pedófilos), precisa passar por leis dentro de instituições democráticas. Mas, sem liberdade de expressão, a democracia é uma farsa. Toda liberdade que possuímos ou que queremos possuir (incluindo igualdade sexual ou de preferência sexual, de habeas corpus ou processos legais, de sufrágio universal – a lista prossegue) deve ter sido livremente pensada, discutida e escrita."

A foto que ilustra este texto foi tirada em 1991, enquanto Rushdie estava em exílio. Na fila de trás: Salman Rushdie, Andrew Wylie, David Rieff, Christopher Hitchens e Ian McEwan. Na fila da frente: Carol Blue, Erica Wylie, Elizabeth West e Martin Amis.