Voltar para Notícias

A matemática por trás das redes sociais

As ideias que movem o mundo em um único lugar. Cadastre-se e receba mensalmente o melhor do Fronteiras

Cadastrado com sucesso

É possível manipular ou prever emoções e comportamentos a partir de sistemas matemáticos? Qual a possibilidade de estudarmos os sistemas sociais desta forma levando em conta as variáveis nas tomadas de decisão? Até onde somos previsíveis por aquilo que lemos, vivemos e desejamos e até onde escapamos do mundo que nos circunda?

Os especialistas que buscam encontrar uma ciência do humano se desdobram em diversas esferas que vão da neurociência à física passando pela biologia e pela futurologia. Contudo, essa visão nada tem de contemporânea. São variações de uma física social que data do Iluminismo do século 18, que acabaram ganhando força no mundo de algoritmos, big data e linguagens numéricas por trás das telas em que nos comunicamos atualmente.

A descrença na ideia de que dados explicariam o homem pode ser tão grande quanto o conflito de nos descobrirmos mais previsíveis do que pensamos ou queremos ser.

Recentemente, a empresa Facebook foi criticada por permitir um estudo sobre o contágio emocional nas redes sem autorização de seus usuários. Pesquisadores da Universidade de Cornell (EUA) analisaram quase 700 mil facebookers, que tiveram o conteúdo de suas linhas do tempo filtrado para mostrar ora apenas posts tristes ora apenas felizes. O objetivo era descobrir o poder do contágio emocional a partir da manipulação dos dados – ou seja, quanto os usuários mudariam seu comportamento ao receber apenas um tipo de emoção em suas leituras diárias dos mais variados tipos.

O resultado foi um alto índice de manipulação emocional massiva em que pessoas lendo conteúdo negativo produziam conteúdo negativo. O mesmo se deu para o positivo. Ainda, o estudo concluiu que a interação não-verbal, geralmente usada para criticar o que seria uma redução da comunicação via tela, não é necessária para tal contágio emocional.

Se algoritmos em um sistema digital podem manipular como nos sentimos, podem eles compreender o que fazemos ou faremos? E na vida real – seria possível prever comportamento, economia, desastres naturais, doenças, crimes, etc? É a proposta do físico Geoffrey West, conferencista da próxima semana no Fronteiras do Pensamento: a utilização de sistemas complexos para compreender o desenvolvimento das redes... Urbanas. Um "físico social" que une une os valores que regem os homens a modelos científico-quantitativos para ajudar as cidades a se desenvolverem de uma maneira mais sustentável e, ironicamente, humana.