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“Arte é sobre estética, sobre moral, sobre nossas crenças no ser humano. Sem isso, não existe arte." - Ai Weiwei

É difícil – se não impossível – separar arte e ativismo quando falamos de Ai Weiwei (Pequim, 1957), considerado o artista vivo mais influente do mundo na atualidade.

Seu trabalho, que tem como foco tópicos ligados aos direitos humanos e à liberdade de expressão, custou-lhe, dentre outras coisas, processos, uma prisão e tortura nas mãos do regime comunista chinês. 


Ai Weiwei estará no Fronteiras SP nesta quarta-feira (10)

O artista chinês é um dos principais símbolos da liberdade de expressão. Em suas mãos, a arte é instrumento de crítica e de informação, mobilizando sociedades contra todo poder que pretende silenciar pessoas, fatos e conhecimento.

Ai Weiwei sobe ao palco do Fronteiras do Pensamento São Paulo nesta quarta-feira (10).

Garanta sua participação neste evento. Ligue para nossa Central de Relacionamento.
São Paulo: (11) 3882.9180 e via Ingresso Rápido

Local das conferências: Teatro Santander (Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2041)
Horário das conferências: 20h30

Envie sua pergunta para Ai Weiwei

Após sua fala, o artista chinês responderá as questões do público presente. Seguidores do Fronteiras nas mídias sociais também têm a chance de enviar perguntas. Mande suas perguntas para Ai Weiwei através do e-mail digital@fronteiras.com até o dia 10 de outubro.

A questão selecionada será respondida pelo conferencista diretamente do evento. Divulgaremos a resposta de Weiwei para a sua pergunta no dia seguinte, aqui, no Fronteiras.com e em nossas mídias digitais, patrocinadas pela Braskem.

A origem do ativismo de Ai Weiwei

Ai Weiwei cresceu entre um campo de trabalhos forçados próximo ao Deserto de Gobi e o exílio no noroeste da China. 

Depois que seu pai, o poeta Ai Qing (1910-1996), foi acusado de ser de direita durante a Revolução Cultural, Weiwei desenvolveu uma consciência social que o inclinou para o ativismo através da arte.

Após ter exposto o plano das autoridades chinesas para acobertar o número de estudantes mortos após o terremoto de 2008 em Sichuan, o artista passou a ser assediado pelo regime comunista.

Mais tarde, isso levou à sua prisão e a invasões ou demolições constantes em seus ateliês.

Desde que recebeu permissão para deixar o país em 2015, o artista mora e trabalha em Berlim e viaja pelo mundo defendendo os direitos humanos por meio da arte.

Curta nossa página no Facebook para participar desta discussão:



A arte de Weiwei

As obras do artista chinês são métodos de denúncia e questionamentos políticos. Ai Weiwei transformou a arte em um "processo de compromisso social, expressão coletiva, testemunho histórico e em um modo de resistência", diz o brasileiro Marcello Dantas, um dos mais importantes curadores do país.

Marcello Dantas será o debatedor desta noite especial no Fronteiras do Pensamento.

Ele também foi o curador da mais recente exposição de Weiwei na América Latina, Inoculación. A exposição aconteceu em setembro e foi a primeira mostra do artista chinês no Chile.

No dia da inauguração, ele conversou com a Artishock sobre a liberdade de expressão, a situação atual do mundo e o papel da poesia em seu trabalho. Confira abaixo e não deixe de enviar sua pergunta para Ai Weiwei.


libreto ai weiwei

Ai Weiwei chega ao Fronteiras do Pensamento São Paulo nesta quarta-feira (10/10). O projeto recebe Marcello Dantas como debatedor da noite, um dos mais importantes curadores do país.

Garanta sua participação no evento:
São Paulo: (11) 3882.9180

Clique aqui para baixar o PDF gratuito do libreto sobre Weiwei. O libreto inclui breve biografia, links indicados e informações de destaque sobre o conferencista.


Entrevista Ai Weiwei: questionando a inteligência humana

A poesia é muito relevante na cultura chinesa. Marcello Dantas mencionou que você foi um poeta antes de se tornar artista visual. Para você, qual é a importância da poesia? 

Ai Weiwei: Acredito que a poesia é um pensamento humano e uma linguagem emocional única, ou um receptáculo, que pode construir o nosso mundo sem seguir exatamente uma dita racionalidade ou qualquer descoberta científica.

Ao invés disso, ela constrói através da beleza, da memória e da imaginação, ou do medo, ou uma sensação de glória.

A poesia lida com o ser humano em sua integridade. É algo ancestral e contemporâneo. Ela confere um aspecto especial a qualquer trabalho, ao invés de um mero resultado racional.

A poesia torna um humano humano. Acho que essas qualidades sempre existem – são o que chamamos de sabedoria, humor, narrativa, o modo como empregamos a linguagem, a estrutura, a emoção ao expressá-la. É um tipo de comunicação humana.

Devido a essas tragédias, o mundo está vivendo um dos maiores processos migratórios desde a Segunda Guerra Mundial, como você aponta no documentário Human Flow. Como foi vivenciar em primeira mão esse processo ao redor do mundo?

Ai Weiwei: Se você vê 65 milhões de pessoas sendo forçadas a deixar suas casas, entenderá essa situação como o maior relatório da tragédia humana em toda a história.

Nunca houve um número tão grande de pessoas sendo expulsas. Não são apenas as guerras regionais que estão por trás dessa tragédia, mas também a fome, a pobreza e os problemas ambientais. Essas sempre foram as fontes para tais condições trágicas. Isso nunca mudou.

Em muitos sentidos, há dois níveis diferentes que decorrem dessas situações: as nações ricas lucram com esses acontecimentos trágicos e, a partir disso, podemos ter uma imagem clara de como este mundo funciona.

Em todos os momentos trágicos da história, sempre houve alguém lucrando e esses problemas são criados por esse tipo de ganância.

Sempre existe algum tipo de interesse nacional que se tornará parte do problema no futuro. Foi o que aconteceu no passado e o que acontecerá no futuro.

Não vejo uma boa solução para isso, a não ser que nós, enquanto humanidade, tenhamos total ciência de que se alguém está sendo lesado, isso é um problema para todos nós.

Se não tivermos esse tipo de ideia e categorizarmos as questões como locais ou regionais, não seremos capazes de enfrentar essas situações trágicas e isso é muito perigoso.

Isso nos faz questionar a inteligência humana, se ela ainda existe.

No que tange às questões de migração, a América Latina também está vivendo seus próprios processos sociais. O Chile se tornou um polo imigratório, sobretudo para as pessoas que buscam asilo da situação política na Venezuela ou da pobreza no Haiti. A imigração é hoje um debate presente na sociedade chilena. Como você vê isso?

Ai Weiwei: Acredito que a imigração não deve ser vista meramente como um problema de imigração. Ela não deve ser vista como um problema exclusivamente venezuelano ou sírio, bangladês ou queniano, ou um problema entre Palestina e Israel.

Precisamos encarar todas as situações trágicas como problemas humanos e tragédias globais em potencial.

Somente quando consolidarmos esse tipo de entendimento, quando exigirmos esforços conjuntos e lideranças políticas internacionais e tomarmos consciência disso em âmbito civil ou de massas, seremos capazes de resolver isso.

Esses problemas sempre ocorrem e, quando eles ocorrem cada nação, cada ser humano é egoísta e pensa em curto prazo.

Não basta enxergar, é preciso ter uma visão: se não formos capazes de enxergar de fato, não será possível atingir um padrão ou uma moral mais elevado.

Precisamos abordar a questão de forma muito prática, mas, para abordá-la de forma prática, é preciso compreender a situação de forma muito clara.

Você é conhecido por ser um usuário ativo nas redes sociais. Qual você acredita ser o impacto das redes sociais sobre a liberdade de expressão?

Ai Weiwei: Pode ser que me vejam como alguém muito dependente das redes sociais, o que é um pouco ridículo, posto que eu só posto algumas selfies e alguns tweets, nada com um significado muito profundo.

No entanto, quando eu estava na China, durante um período muito breve de tempo eu criei um movimento individual – ou um movimento restrito a uma cidade.

Foi bem impressionante, porque eu pude explorar plenamente o impacto do trabalho em redes sociais em termos de sociedade civil ou direitos humanos.

Não acho que isso seja uma possibilidade no Ocidente. Ainda tenho o hábito de utilizá-las, mas o impacto não é forte.

No Ocidente, as redes sociais provavelmente são ótimas para um fluxo de informações ou para a expressão individual, mas ainda não observei nenhuma utilização revolucionária das redes sociais em termos de transformação social. Minha percepção é essa.

Tendo vivido no Ocidente e no Oriente, como você se sente em relação à liberdade de expressão?

Ai Weiwei: Acho que, em nações distintas, a liberdade de expressão tem definições muito diferentes.

Na China, liberdade de expressão significa ir parar na prisão, ser condenado ou desaparecer. Qualquer pessoa que exercesse esse direito acabaria desaparecendo.

Isso significa que ninguém tinha acesso à liberdade de expressão. Algumas pessoas o faziam e agora elas vivem essa aventura. Por que alguém mais faria isso? Assim, ninguém o faz. As pessoas aprenderam com o exemplo.

No Ocidente, contudo, a chamada liberdade de expressão é muito mais manipulada pelo mainstream: educação, tendências de pensamento, correção política... Nesse sentido, é muito raro ver algum tipo de atividade significativa.

A mídia mainstream é muito poderosa. Quando alguém sofre um acidente de carro, pessoas comentam isso na mídia durante uma semana; se um palestino é morto – há pouco tempo, foram 56 só em um dia –, não vemos o mesmo tipo de discussão.

Então, onde está o erro? É uma conspiração ou há algo de errado com nossas capacidades de julgamento? Ou, se damos um valor diferente para cada vida, quais vidas não têm a mesma importância? Isso é uma grande tragédia.

A justiça não teria o mesmo significado em regiões diferentes. Nesse caso, seríamos totalmente corruptos. Isso significa que não existe liberdade de expressão, porque qualquer coisa que você diga se torna não relevante. Ninguém se importa. O que acontece na prática? A liberdade de expressão jamais funcionaria sozinha, então ela se torna uma espécie de alarme falso: ninguém quer escutá-la.

>> Conheça Ai Weiwei no Minuto Fronteiras do Pensamento | CBN