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Ai Weiwei troca telas por páginas e lança novo livro, "Humanidade"

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"Humanity", nova obra de Ai Weiwei, é uma coleção de citações, excertos e aforismos do artista.

O artista e ativista chinês Ai Weiwei é conhecido por usar sua fama e suas mídias sociais como um megafone para a liberdade de expressão.

Por causa do seu blog e de seu Twitter, onde criticava o Governo de seu país, ele foi detido pela polícia chinesa por três meses e teve seu passaporte retido.

Já no Instagram, seus posts nos últimos anos, atraíram atenção internacional para a crise dos refugiados, enquanto seu documentário, Human Flow, foi lançado. Mas, agora, Weiwei decidiu voltar a formas de expressão mais tradicionais.

Seu novo livro, Humanity, acaba de ser lançado pela Princeton University Press. A obra é uma coleção de citações, excertos e aforismos do artista – extraídos de entrevistas e falas públicas.

“Este problema tem uma história tão antiga, tão humana. Somos todos refugiados de alguma forma, em algum lugar, em algum momento.”

“Permitir que fronteiras determinem o que você pensa é incompatível com a contemporaneidade.”

“Arte é sobre estética, sobre moral, sobre nossas crenças no ser humano. Sem isso, não existe arte.”

“Não me importa o que os outros pensam. Meu trabalho pertence às pessoas que não têm voz.”









A seleção de citações no livro busca demonstrar a amplitude do pensamento de Weiwei sobre a humanidade e a migração em massa – questões que ocuparam o artista por décadas.

Os excertos de entrevistas, artigos e conversas expressam a profunda urgência da crise migratória global, a resiliência e a vulnerabilidade da condição humana e o papel da arte em dar voz a quem foi silenciado.



Ai Weiwei é o próximo conferencista do Fronteiras do Pensamento 2018

libreto ai weiwei

O artista vem ao projeto trazer sua história de luta pela liberdade da expressão no mundo.

Clique aqui para baixar o PDF gratuito do libreto sobre Weiwei. O libreto inclui breve biografia, links indicados e informações de destaque sobre o conferencista.

Weiwei sobe ao palco do Fronteiras em Porto Alegre (08/10) e São Paulo (10/10) com o debatedor Marcello Dantas, um dos mais importantes curadores do país.

Dantas também foi curador de Inoculación, mais recente exposição de Weiwei, no Chile. O curador enfatiza que a ligação do ativista chinês com a arte nasce através da poesia – ele é, antes de tudo, um poeta.

“A poesia é uma linguagem do pensamento e das emoções humanas. É uma mensageira capaz de construir nosso mundo não necessariamente seguindo as regras da chamada racionalidade ou das descobertas científicas, mas sim da beleza, da memória, da imaginação, do medo e da glória", define Weiwei. 

O artista é filho de Ai Qing, poeta chinês que, mesmo apoiando o regime comunista, foi exilado pelo partido e condenado, junto à família, a trabalhar no campo para “reeducar-se” – medida tomada contra muitos intelectuais durante a Revolução.

Assim, a ligação de Weiwei com a poesia é muito natural, "é o que faz de um ser humano um ser humano", explica.

No Chicago Humanities Festival, o escritor Ian Buruma, editor do New York Review of Books, conversou com o artista sobre poesia clássica chinesa e sua relação entre as conhecidas selfies de Weiwei: ambas são formas de registrar nossas vidas, diz o ativista. Permanecerão conosco enquanto o sol seguir nascendo, enquanto seguirmos curiosos sobre nós mesmos. 

Confira a conversa entre Buruma e Weiwei, sobre Humanity, Human Flow e a capacidade do ativista chinês de interligar arte, história e trajetória pessoal.