Voltar para Notícias

Bagdá, 7 dias na metrópole mais perigosa do mundo

As ideias que movem o mundo em um único lugar. Cadastre-se e receba mensalmente o melhor do Fronteiras

Cadastrado com sucesso

“Você não pode explodir as ideias das cabeças das pessoas. Você pode explodir as roupagens, as organizações no Iraque e na Síria. Mas, isso não elimina o extremismo islâmico em todas as suas formas. Se você não eliminar o extremismo, quando o EI morrer, você terá outra organização como ele." – Ayaan Hirsi Ali, escritora e ativista política, autora do best-seller autobiográfico Infiel: a história de uma mulher que desafiou o Islã, e de Herege: por que o islã precisa de uma reforma imediata.

“Não podemos mudar o mundo, mas podemos tentar disseminar o conhecimento, as informações e a compreensão. Se não fôssemos checar o que acontece no local, os exércitos e generais nos encheriam de mentiras. Vamos até lá para descobrir algo sobre eles, tentar buscar a verdade do que ocorre à nossa volta." – Asne Seierstad, jornalista especializada em cobertura de guerras, autora do best-seller O Livreiro de Cabul e de 101 dias em Bagdá, em que relata o que viu e viveu em Bagdá durante a Guerra do Iraque.

São muitos os nomes que vieram ao Fronteiras do Pensamento trazer a realidade do Oriente Médio. Mais diversos ainda são os pontos de vista. Porém, nomes como Shirin Ebadi, Jon Lee Anderson e Mohsen Makhmalbf têm algo em comum: estiveram nas linhas de frente dos conflitos, buscando compreender e ajudar os povos que vivem em meio ao medo e à violência gerada por grupos extremistas ou por guerras na região. Presenciar realidades tão distantes, dar face aos fatos que se tornam números nos noticiários é uma das grandes razões para que jornalistas aceitem a arriscada tarefa de cobrir os territórios ameaçados pelo Estado Islâmico.

Foi, também, uma das motivações para que Rodrigo Lopes, em reportagem especial ao jornal Zero Hora, percorresse a metrópole mais perigosa do mundo, Bagdá, durante sete dias – período no qual 172 pessoas morreram em atentados com carros-bomba e em combates entre o exército iraquiano e o Estado Islâmico.

Em conversa ao Fronteiras, Lopes conta que coberturas de guerra não apenas expõem tanto a brutalidade quanto a solidariedade do ser humano, mas como também aproximam realidades geralmente apresentadas como distantes. Ao imergir no cotidiano e nas emoções da população das zonas de conflito, o leitor encontra os mesmos medos e sonhos que ultrapassam as fronteiras culturais. Assista abaixo:


BAGDÁ, A CAPITAL MAIS PERIGOSA DO MUNDO

Vivem oficialmente no país do Golfo Pérsico 32 brasileiros, mas o embaixador brasileiro admite que esse número, na prática, deve ser menor. Muitos, nos últimos meses, foram embora por causa da guerra sectária entre xiitas e sunitas. A maioria dos que ficaram vive no Curdistão, região semiautônoma na fronteira com a Turquia. É quase como um país dentro de outro – com leis próprias, o Curdistão não exige visto de brasileiros. Essa facilidade leva a maioria dos jornalistas a acompanhar a luta contra o Estado Islâmico a partir de Erbil.

“Nossa ideia", diz Rodrigo Lopes, “era diferente: mostrar Bagdá, a capital castigada diariamente por atentados terroristas do EI, o grupo extremista sunita gestado do atoleiro americano pós-Saddam e que apavora o mundo. Massacrado pela ditadura do partido Baath e vilipendiado por sucessivos conflitos (com o Irã, entre 1980 e 1988, a Guerra do Golfo, em 1991, e a invasão americana, em 2003), o Iraque não seduz pelo turismo. Empresas não fazem seguro de vida para quem viaja ao país. Quem desembarca no Aeroporto Internacional de Bagdá, chega, em geral, a trabalho. Meu visto de jornalista foi liberado em 17 de março. Um mês e meio depois, iniciava-se esta incursão de vida e morte no país dos carros-bomba."

Conheça as regiões, as culturas e os desafios dos locais nesta reportagem especial. Mapas, vídeos e histórias de família revelam o passado, o presente e as perspectivas de futuro para os 7,5 milhões de pessoas que habitam Bagdá, uma cidade com acesso livre a quase todos os locais, mas que ensina uma perigosa lição: “Você só não pode estar no lugar errado na hora errada".