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Cinco palavras sobre a França

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Olivier Ortelpa/Flickr
Olivier Ortelpa/Flickr

"A França está em guerra", afirmou o filósofo e ex-ministro da Educação Luc Ferry logo após os ataques terroristas que Paris enfrentou. Ele foi um dos franceses que se juntou aos manifestantes que se reuniram na cidade no domingo (11) para protestar contra o fundamentalismo do Islã. Em entrevista ao jornal Zero Hora, Ferry disse que "não se deve confundir muçulmano e islamista, religião e fundamentalismo fanático, e um dos desafios de hoje é justamente evitar o amálgama. Dito isso, o islamismo fanático se parece muito com o nazismo, ao menos em pontos fundamentais".

A escritora somali Ayaan Hirsi Ali é autora de Infiel: a história de uma mulher que desafiou o Islã, e junto com o cineasta Theo van Gogh realizou o filme Submissão, criticando a situação da mulher na religião muçulmana, obra pela qual o cineasta foi assassinado e Ayaan ameaçada de morte. Assim como o editor da Charlie Hebdo, Charb, que foi morto no ataque, Ayaan está na lista negra da Al Qaeda. Em um programa de TV, a escritora afirmou que, assim que ficou sabendo dos atentados em Paris, pensou: "Poderia ter sido eu, poderia ter sido você. Poderia ter sido com todos nós. Enquanto há um movimento islâmico radical organizado para obter armas, para ir atrás de pessoas e matá-las, a ameaça existirá".

O escritor peruano Mario Vargas Llosa se identificou com a campanha #jesuischarlie na coluna que mantém no jornal El País, da Espanha. "Acredito que o que ocorreu em Paris recentemente não é só um fato horrível que arrepia por sua crueldade e selvageria, mas também uma escalada ao terror. Até agora, mataram pessoas, destruíram instituições, mas o assassinato de quase toda a redação de Charlie Hebdo significa, porém, algo mais grave: querer que a cultura ocidental, berço da liberdade, da democracia e dos direitos humanos, renuncie ao exercício de seus valores e que comece a exercitar a censura, ponha limites à liberdade de expressão, estabeleça temas proibidos, ou seja, renuncie a um dos princípios fundamentais da cultura da liberdade: o direito de criticar", escreveu.

"Chamem Voltaire", invoca o jornalista e escritor cubano Carlos Alberto Montaner. "O pior sintoma do extremismo islâmico é a intolerância (...) Eles necessitam urgentemente de um Voltaire que sacuda suas consciências", publicou em seu blog.

Ao jornal La Croix, Tzvetan Todorov afirmou que "se Charlie designa as vítimas do atentado, não, nós não somos todos equivalentes às vítimas, nós não tínhamos os posicionamentos arriscados do passado como os jornalistas assassinados. Nós nos atribuímos abusivamente o status de vítima. Se pensarmos mais na sua condição de militantes, é também uma assimilação abusiva: sabemos bem que nem todos aprovaram as escolhas políticas desses jornalistas".

A pergunta que ainda paira no ar é: o que a França pode nos ensinar?