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Dia Internacional do Livro Infantil com Valter Hugo Mãe

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O paraíso são os outros/Cosac Naify (arte por Nino Cais)
O paraíso são os outros/Cosac Naify (arte por Nino Cais)

"Reparo desde pequena que os adultos vivem muito em casais. Mesmo que não sejam óbvios, porque algumas pessoas têm par mas andam avulsas como as solteiras, há casais de homenscom homens e outros de mulher com mulher. Depois, há casais de pássaros, coelhos, elefantes, besouros. Os pinguins são absurdamente fiéis, quero dizer: há também casais de pinguins, e até de golfinhos. Tudo por causa do amor.

O amor constrói. Gostarmos de alguém, mesmo quando estamos parados durante o tempo de dormir, é como fazer prédios ou cozinhar para mesas de mil lugares.

Mas amar é um trabalho bom. A minha mãe diz"

Dia 02 de abril marca o Dia Internacional do Livro Infantil. Para celebrar a data, trazemos O paraíso são os outros, mais recente obra do premiado escritor português Valter Hugo Mãe, conferencista confirmado no Fronteiras do Pensamento Porto Alegre 2015. Esta é a primeira obra de Hugo Mãe dedicada ao público infanto-juvenil e surgiu de uma visita ao ateliê do artista brasileiro Nino Cais, que trabalhava em fotos antigas de casamentos colando pedras de bijuteria infantil sobre os rostos dos casais retratados. Seis dessas imagens dialogam com o texto no livro (foto).

A narradora de O paraíso são os outros é uma menina intrigada com um estranho comportamento dos animais – incluindo seres humanos: a necessidade de viver em casal. Uma menina a quem o amor intriga e fascina. Ao imaginar a vida dos outros, sonha com a sua pessoa desconhecida que um dia há de amar: "Os casais formam-se para serem o paraíso. Ou assim devia ser. Há casais que vivem no inferno,mas isso está errado. Pertencer a um casal tem de ser uma coisa boa. Eu, quando for adulta e encontrar quem vou amar, quero ser feliz."

Ao inventar a felicidade, a menina já sabe tudo o que é preciso para formar um casal. O livro parte da inocência pueril e toca, ou deveria tocar, a sabedoria dos mais crescidos:

"Eu adoraria ver jacarés, ursos brancos ou cobras de dez metros. Uma vizinha da nossa rua tem uma vaidosa galinha d'angola. Eu gosto de animais e mais ainda dos esquisitos e invulgares, até dos que parecem feios por serem indispostos.

Os bichos só são feios se não entendermos seus padrões de beleza. Um pouco como as pessoas. Ser feio é complexo e pode ser apenas um problema de quem observa."