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Dia Mundial da Bicicleta

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19 de abril marca o Dia Mundial da Bicicleta. Em seu twitter, Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, conhecido mundialmente por estimular o uso da bicicleta como forma de mobilidade urbana, se manifestou sobre a data defendendo a “humanização" das cidades: mais foco nos pedestres e ciclistas. Conferencista do Fronteiras do Pensamento Porto Alegre 2012, Peñalosa participou de um Passeio Ciclístico que reuniu 600 pessoas numa iniciativa Unimed POA em parceria com o Fronteiras (na imagem, Peñalosa, membros da equipe do Fronteiras e participantes do Passeio, aberto a todos).

Em sua conferência no Fronteiras POA, Peñalosa afirmou que, no mundo contemporâneo, existe uma sensação de conectividade, mas há falta de espaços designados para a construção de laços sociais: “De todo o planeta, a única parte a qual todos temos acesso de fato é o espaço público da cidade, onde o conflito entre o espaço do pedestre e o espaço do transporte precisa ser resolvido."

O urbanista esclareceu que uma boa cidade é aquela onde “ricos e pobres se encontram em atos culturais, no transporte público, nas praias, na calçada. Somos pedestres, precisamos caminhar." E concluiu: “Não somos felizes em gaiolas, encerrados entre muros. Por isso estamos mais felizes numa calçada de dez metros que numa calçada de dois metros de largura. A cidade é uma obra coletiva de arte. Numa boa cidade não vamos de carro para comprar o pão e o leite, as crianças caminham ou vão de bicicleta à escola."

Em 2013, o Fronteiras do Pensamento recebe Manuel Castells, intelectual espanhol com inúmeras publicações sobre a sociologia urbana. Castells defende que a transformação espacial deve ser compreendida mais amplamente. O espaço urbano não é uma reflexão da sociedade, mas sim sua expressão; é inseparável, portanto, dos processos de mudança social. Para Castells, na Era da Informação (a contemporaneidade), a cidade pode ser dividida em três eixos:

- Função: a sociedade em rede é organizada em volta da oposição entre global e local. Processos econômicos dominantes – tecnologia, mídia, autoridades institucionais – são organizados em redes globais. Porém, o cotidiano – a vida privada, a identidade cultural e a participação política – são essencialmente locais. Cidades, enquanto sistemas comunicacionais, devem ser a ponte entre global e local. Esta é sua função e tem sido sua grande fronteira – responder simultaneamente a ambos os aspectos.
- Significado: Castells explica que o significado de uma cidade também gira em torno de uma oposição: individuação e comunalismo. Individuação são os limites particulares dos projetos, interesses e representações dos indivíduos (personalidades sistêmicas em corpos separados). Comunalismo são estes mesmos limites, mas compartilhados com outros indivíduos – são as identidades coletivas baseadas em sistemas de valores e crenças aos quais todos estamos submetidos.
- Forma: de acordo com Castells, a Forma é o mais importante aspecto para a compreensão da urbe atual. Diz ele que existem o espaço do fluxo e o espaços local. O espaço do fluxo é a comunicação virtual, que interliga eletronicamente atividades que ocorrem em locais distintos. Já o espaço local, organiza a experiência e a atividade dos cidadãos, da comunidade. Castells coloca que uma cidade global está determinada por sua fluidez no transporte e na comunicação (mobilidade real e virtual) e por sua habilidade de mobilizar recursos humanos no processo de competição global.

FRONTEIRAS.COM | vídeos | saiba mais sobre o tema (urbe e mobilidade):

Enrique Peñalosa: entrevista exclusiva - Economista e urbanista colombiano, Penãlosa fala sobre o processo de desenvolvimento das cidades, da necessidade de planejamento e de uma nova distribuição dos espaços.

Cameron Sinclair: entrevista exclusiva - Arquiteto britânico, Sinclair fala sobre as oportunidades da profissão e como a arquitetura pode contribuir para as diferentes sociedades que compõem o mundo globalizado.