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Ensinamentos de Jan Gehl e Jane Jacobs motivam projeto de novo bairro em Limeira

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"No processo de planejamento, em vez da sequência que prioriza os edifícios, depois os espaços e depois (talvez) um pouco de vida, o trabalho com a dimensão humana requer que a vida e os espaços sejam considerados antes das edificações." - Jan Gehl, autor do best-seller Cidades para pessoas

Um projeto no interior de São Paulo batizado de Bairro da Gente pretende colocar em prática os ensinamentos de dois “papas" da vida urbana, a americana Jane Jacobs e o dinamarquês Jah Gehl. Jacobs é autora do livro Morte e Vida das Grandes Cidades, em que argumenta, entre outras coisas, que quanto mais movimentada é uma rua, mais segura ela se torna.

Já Gehl, em seu Cidades para Pessoas, questiona por que a escala urbana é pautada mais pelos edifícios do que pela maneira como os moradores usam e vivem em cada espaço. A partir da combinação dessas duas visões, o projeto buscou criar um bairro pelo qual fosse fácil, seguro e agradável circular. A própria equipe de Gehl participou da elaboração do masterplan, que será implantado a partir de uma parceria público privada (foto abaixo: equipes Bairro da Gente e Gehl Architects reunidas na Dinamarca).

Jan Gehl vem ao Brasil em novembro, para participar do Fronteiras do Pensamento 2016

Veja as ideias, imagens e projetosdo Bairro da Gente (PDF)

O local escolhido foi uma área de 300 mil metros quadrados em Limeira, cidade de 300 mil habitantes no interior paulista. O ponto de partida é um antigo aeroclube desativado, e a repaginação inclui melhorar ou criar 30 lugares deste perímetro, entre praças, terminais de ônibus, mercado e escolas.

Em conversa com o blog Cidades sem Fronteiras, dois dos autores do projeto, Iury Lima e Raouda Assaf, contaram o quanto o diálogo com a comunidade foi determinante para a definição do que fariam dali em diante. Em dinâmicas e conversas, ouviram, por exemplo, crianças e idosos dizerem sentir medo dos carros, receio causado pela alta velocidade com que transitavam. Para resolver isso, foram criadas calçadas largas priorizando o pedestre e vias mais estreitas para carros, cujo desenha obriga os motoristas a tirarem o pé do acelerador.

Além de incentivar deslocamentos a pé e de bicicleta, o projeto lançou mão de outras estratégias para aumentar a presença de pessoas nas ruas. O bairro é de uso misto, ou seja, com residências, comércio e serviços intercalados. Houve ainda a preocupação de criar arquiteturas diferentes umas das outras, sempre no esforço de tornar a paisagem mais interessante e viva.

"Para alcançarmos o ideal de Jacobs e a vibração de Gehl é essencial que o planejamento urbano esteja alinhado com esses princípios. De nada adiantaria a segregação de usos e rendas, e muito menos a unidade de tipologias. Um lugar é vivo quando é usado e apropriado por seus moradores. O uso misto confere ao lugar seu uso ininterrupto, ora com a vibração do comércio e serviço ora com seu uso residencial. Dessa forma evitamos a aridez noturna dos distritos comerciais e o esvaziamento diurno nos bairros estritamente residenciais", explicaram os autores do projeto.

O Bairro da Gente está em fase de aprovação e as obras estão previstas para serem entregues em até dez anos.

(via Cidades sem Fronteiras)