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Envie sua Pergunta Braskem para o Nobel Mario Vargas Llosa

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Mario Vargas Llosa (foto: Wladimir Simitch/Public Sénat)
Mario Vargas Llosa (foto: Wladimir Simitch/Public Sénat)

Jornalista, dramaturgo, ensaísta e crítico literário, o Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa é reconhecido como um dos mais importantes escritores da atualidade. Graduado em Direito e Letras, o escritor já recebeu o Prêmio Nacional de Cultura do Peru, pela novela A casa verde, em 1967, o Prêmio Príncipe de Astúrias, em 1986, e o Prêmio Miguel de Cervantes, em 1994, entre outras importantes condecorações. Para ele, a cultura pode ser um experimento de reflexão, pensamento, sonho, paixão e poesia.

Mario Vargas Llosa é o conferencista inaugural do Fronteiras do Pensamento 2016. O Nobel de Literatura sobe ao palco do Teatro Cetip-Complexo Ohtake Cultural no dia 09 de maio. Já no dia 11, o peruano vai a Porto Alegre, onde fala ao público do Fronteiras no Salão de Atos da UFRGS.

Após a conferência, Vargas Llosa responderá as perguntas da plateia. Dentre estas questões, pode estar a sua. É a iniciativa Pergunta Braskem, que convida os seguidores do Fronteiras do Pensamento nos canais digitais a enviarem suas questões por e-mail. A pergunta selecionada pela curadoria será respondida pelo conferencista no palco do projeto. A resposta será divulgada aqui, no fronteiras.com, no dia seguinte à conferência.

Envie sua Pergunta Braskem a Vargas Llosa para o e-mail digital@fronteiras.com até segunda-feira (09).

Conheça o conferencista do Fronteiras do Pensamento | MARIO VARGAS LLOSA

Quando Mario Vargas Llosa recebeu o Nobel de Literatura, em 2010, a Academia Sueca elogiou sua “cartografia de estruturas de poder e suas vigorosas imagens sobre as resistências, revoltas e derrotas individuais".

Esta louvação ao trabalho de Llosa também pode ser dirigida a obras como O Sonho do Celta ou ao seu épico A guerra do fim do mundo, que se passa na Bahia, no final do século 19. O livro conta a história da Guerra de Canudos e de Antônio Conselheiro, que encoraja seus seguidores a construir uma nova cidade para desafiar o governo que decide destruí-lo juntamente com sua utopia.

As obras de Llosa são repletas de figuras históricas. Segundo o escritor, a literatura é um caminho alternativo à compreensão da história: “Na ficção, você não fica limitado pelos fatos. Você pode manipular a realidade, pode inventar sem ser desleal com a essência da narrativa. Creio que por isso encontramos um cenário mais acurado do que aconteceu nas Guerras Napoleônicas nos escritos de Tolstói do que nos de historiadores", explica.

Apesar de tudo, o primeiro grande sucesso literário do Nobel não veio de biografias alheias, mas da sua própria. Em 1963, aos 27 anos, Llosa recebeu o Prêmio Biblioteca Breve e o Prêmio da Crítica Espanhola por seu romance de estreia, A cidade e os cachorros, que se passa em uma escola militar peruana e que relembra suas experiências na academia militar de Leoncio Prado, local para o qual foi enviado por seu pai.

A relação de Mario Vargas Llosa com seu pai é definidora em sua visão de mundo. O escritor cresceu achando que o pai estava morto, quando, na realidade, isso era uma história contada por sua mãe (foto) para omitir a conflituosa separação do casal.

A verdade veio à tona em 1946, quando o pai de Llosa reapareceu subitamente para levar Mario e sua mãe embora da casa de seus avós. Mario saiu do ambiente carinhoso dos avós para o lar autoritário de seu pai, tendo que entrar no colégio militar, descobrindo o medo, a injustiça e a violência.

Em 1955, aos dezenove anos, Llosa se casou com Julia Urquidi, companheira política 10 anos mais velha do que ele. Além da universidade, na época, Vargas Llosa tinha sete empregos para pagar as contas. Durante seus anos de juventude, enquanto Llosa lia obras de Dumas e Victor Hugo, o clima político no Peru via a ascensão do ditador Manuel Odría se estender de 1948 a 1956, época em que Mario estudava direito e literatura na Universidade de San Marcos.

O rígido controle imposto por Odría sobre a sociedade nesta época pode ser lido em uma das mais famosas obras de Llosa, Conversa no Catedral, originalmente publicado em 1969.

A presença do autoritarismo tanto na vida pessoal quanto na pública fez de Llosa um ativista contra sistemas que inibem a liberdade e a iniciativa individuais. Suas obras refletem esta repulsa pelas manifestações arbitrárias de poder e pela ausência de leis que impeçam isso.

Nas décadas de 1960 e 1970, por obras como Conversa no Catedral e Pantaleão e as visitadoras, Mario Vargas Llosa se uniu ao movimento literário chamado Boom Latino-Americano.

O movimento, que trazia nomes como Gabriel García Márquez, Carlos Fuentes, Julio Cortázar, estava ligado pelo comprometimento com a experimentação da ficção e com a política, algo raro nos escritores norte-americanos e europeus da época.

Em meados de 1970, Llosa se dividiu em residências em Paris, Londres e Barcelona. Em 1983, voltou ao Peru; onde concorreu às eleições presidenciais. Em seguida, mudou-se para Londres, onde vive até hoje.

Em 2010, veio o Nobel de Literatura, uma nova agitação na vida do então senhor de 74 anos: “O Prêmio Nobel é um conto de fadas por uma semana e um pesadelo por um ano. Você não consegue imaginar a pressão para conceder entrevistas e ir a feiras de livros. O primeiro ano foi muito difícil, mas conseguia escrever", confessa o autor.

Llosa reclama sorrindo, pois parece ter tomado gosto pelas aventuras na melhor idade. Cinco anos após o Nobel, o peruano fez sua estreia no teatro. Melhor dizendo, nos palcos.

Mesmo que seja autor de peças de teatro desde 1980, foi aos 78 anos de idade que subiu ao palco para encenar suas personagens. No caso, em sua adaptação do Decamerão, de Boccaccio. Também em 2015, divorciou-se de sua esposa Patrícia e se uniu a Isabel Preysler, ex-esposa de Julio Iglesias. No ano seguinte, lançou sua mais recente obra, Cinco esquinas, que ocorre no final da ditadura Fujimori [fim dos anos 1990]. Trata-se de um thriller em que o principal tema é o jornalismo, mostrando como a imprensa amarela ou marrom, a do escândalo, tem efeitos nefastos.

Selecionamos alguns links para ajudar a compreender o universo de Mario Vargas Llosa:

>> VÍDEOS


Época entrevista Vargas Llosa

O melhor e o pior do século XXI

É necessário que a arte exista


>> ARTIGOS E ENTREVISTAS


Colunas de Llosa no El País

Entrevistas com Vargas Llosa

Artigos com Vargas Llosa