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Andrew Solomon abre o Fronteiras do Pensamento 2020 nesta quarta.
Andrew Solomon abre o Fronteiras do Pensamento 2020 nesta quarta.

Angústias, expectativas, medos, solidão e os desafios nas relações diárias com nossos filhos e companheiros. Como nos mantemos minimamente saudáveis emocionalmente e fisicamente enquanto a humanidade não volta à “normalidade”? 

Andrew Solomon  é o primeiro conferencista do Fronteiras do Pensamento 2020. Nesta quarta-feira (09/09), ele debate o tema desta temporada – a Reinvenção do humano –, e não poderia deixar de trazer suas reflexões sobre a crise gerada pela pandemia de covid19. O escritor, responsável por um dos livros contemporâneos mais importantes sobre a depressão e o adoecimento psíquico, trata do atual momento que vivemos a partir do ponto de vista do especialista em saúde mental, mas, também, da perspectiva de muitos de nós: Solomon é pai e, junto de seu companheiro, atravessa as mesmas angústias que ainda enfrentamos devido às transformações provocadas pela crise sanitária.

Envie suas perguntas para Andrew Solomon pelo e-mail digital@fronteiras.com ou por mensagem via Facebook ou Instagram. O pensador responderá as questões selecionadas durante a transmissão ao vivo na conferência desta quarta-feira (09/09). Divulgaremos as respostas nos dias posteriores ao evento, em nossos canais digitais, oferecidos pela Braskem.

A seguir, separamos alguns pontos que Solomon abordará em sua conferência, disponíveis na íntegra em vídeo aos assinantes do Fronteiras do Pensamento 2020. Para assistir ao vídeo ou à aula preparatória para sua conferência com a psicanalista Vera Iaconelli, clique no banner a seguir:



Mudanças na humanidade

“Tenho a esperança de que essa experiência com o coronavírus fará as pessoas perceberem como é frágil nossa posição no mundo. Espero que isso tenha efeitos benéficos em questões como o aquecimento global, que as pessoas se deem conta de que essas abstrações grandes e complexas são de fato autênticas e possivelmente representam uma ameaça real para a nossa capacidade de funcionamento. Tenho a esperança de que as pessoas serão mais bondosas umas com as outras e que celebrarão os encontros com as outras. 

Tenho muitas esperanças, mas também tenho medo na mesma medida. Tenho medo de que será muito difícil, e que as pessoas nunca mais se sentirão muito confiantes para viajar, e que isso resultará em mais chauvinismo, provincianismo e nacionalismo."


Depressão e saúde mental

"Existe há algum tempo uma tendência de tratar as queixas de saúde mental como se fossem um luxo. Muitas pessoas têm dito “ora, vamos, temos um vírus nos atacando, é muito grave, quem tem tempo para se preocupar com saúde mental?”. E acho que esse é um ponto de vista muito equivocado. Eu acho que as questões de saúde mental são, em muitos aspectos, tão graves como as questões de saúde física, e que uma resposta saudável ao vírus exige que se enfrente ambos problemas.

Tenho escutado relatos sobre pessoas que cometeram suicídio durante a epidemia, tenho ouvido sobre pessoas que estão tão deprimidas que não conseguem funcionar normalmente nem se alimentar, tenho escutado sobre pessoas que estão deprimidas, e a depressão, bem sabemos, reduz a nossa capacidade de resposta imunológica. Assim, eu temo que estejamos negligenciando as consequências dessa epidemia sobre a saúde mental, ou problemas que foram desencadeados pela epidemia, e que fazer isso acabará sendo muito perigoso para nós."


Diversidade

"Falarei sobre a diversidade de experiências por que todos nós estamos passando. Falarei sobre o que escrevi em Longe da árvore, mas também quero tentar falar sobre o que acontece diante de situações como essa, e uma das coisas que acho que acontece é que boa parte de nossa diversidade evapora, em diversos sentidos.

Agora nós estamos em quarentena, em isolamento, e acho que todas aquelas coisas que pareciam relevantes quando estávamos participando da sociedade como um todo, no sentido de sermos pais gays, desapareceram em certo sentido. Agora, o que importa é que meu marido e eu somos pais, temos o nosso filho, George, e estamos mantendo ele saudável e tentando nos manter saudáveis enquanto atravessamos essa situação juntos. Por isso, estou muito interessado nos modos como reimaginaremos a diversidade depois de passarmos por essa experiência – espero que já exista um depois quando eu for para o Brasil –, mas depois que tivermos passado por essa experiência de quarentena e isolamento e como isso nos fará repensar nossa condição comum enquanto humanos."

Ativista de direitos LGBT, saúde mental e artes, Andrew Solomon é reconhecido como um dos mais relevantes autores da atualidade. É autor do premiado best-seller O Demônio do Meio-Dia: Uma Anatomia da Depressão. O livro, que se tornou referência mundial no assunto, foi finalista do Prêmio Pulitzer e vencedor do National Book Award de 2001, além de ser considerado um dos cem livros mais importantes da última década pelo jornal The Times.


Conheça mais sobre Andrew Solomon nos conteúdos abaixo e não esqueça de enviar suas perguntas para Andrew Solomon respondê-las ao vivo nesta quarta-feira, 09 de setembro:



Entrevista: "Vivemos subnotificação catastrófica de depressão na pandemia"

Entrevista: Homossexualidade, aceitação e preconceito

Entrevista: Depressão: a doença da solidão

Artigo: "As famílias evoluíram. As línguas devem fazer o mesmo"

Artigo: Zygmunt Bauman e Andrew Solomon: a solidão é a grande ameaça