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A filosofia, a ciência, a cultura e muitas outras áreas especulam, investigam e debatem sobre os sentidos da existência. É um tema complexo e, por natureza, subjetivo. Sobre o propósito do ser humano, o psicanalista italiano Contardo Calligaris disse, em entrevista, que não desejava simplesmente ser feliz, mas sim viver uma vida interessante.

Não há acordo, por óbvio, sobre o que isso possa significar. Calligaris parece sugerir que interessante é a vida que assume riscos. É a vida que recusa o esconderijo da pequena felicidade e o culto do bem-estar prudente e previsível:

"Ter uma vida interessante significa viver plenamente. Isso pressupõe poder se desesperar quando se fica sem alguma coisa que é muito importante para você. É preciso sentir plenamente as dores: das perdas, do luto, do fracasso. Eu acho um tremendo desastre esse ideal de felicidade que tenta nos poupar de tudo o que é ruim."

A ideia, tão simples e desafiadora, acabou se tornando tema do Fronteiras do Pensamento 2019: os Sentidos da Vida na contemporaneidade. Agora, chegou a vez do psicanalista subir ao palco do projeto para responder ao seu próprio desafio.

Contardo Calligaris é o conferencista do Fronteiras nos dias 21/10 (POA) e 23/10 (SP). Além do psicanalista, o ciclo ainda receberá o filósofo francês Luc Ferry, em novembro.

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ATENÇÃO: em Porto Alegre (dia 21/10), o evento acontece excepcionalmente no Centro de Eventos da PUCRS (Av. Ipiranga, 6.681). Em São Paulo (23/10), o local é o mesmo, no Teatro Santander.

ENVIE SUA PERGUNTA* | Mande suas questões para Calligaris através do e-mail digital@fronteiras.com ou comente-as em nossa página do Facebook. O psicanalista responderá as questões selecionadas diretamente do projeto nas capitais gaúcha e paulista. Divulgaremos as respostas nos dias posteriores aos eventos, em nossos canais digitais, oferecidos pela Braskem


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No vídeo abaixo, o cientista político Fernando Schuler, curador do Fronteiras do Pensamento, conta por que convidou o psicanalista para esta temporada de conferências. Assista ao vídeo e prossiga a leitura para conhecer mais sobre as ideias de um dos mais conhecidos pensadores brasileiros, Contardo Calligaris.


Encontro com nosso tempo e nossas inquietações | Lucia Serrano Pereira**

O mais interessante acontece quando ousamos encontrar um lugar desde onde falar que faça ressoar nosso ponto de inclusão no mundo com as interrogações e os desejos que nos habitam, nos impulsionam. Contardo Calligaris transita fortemente por este caminho e faz dele sua riqueza, seja no meio psicanalítico – só de Brasil e de gerações de analistas, mais de 30 anos –, seja na cultura de forma ampla, em seus livros, na coluna da Folha de S.Paulo; e das ousadias mais recentes nos últimos anos, a aventura que vem com a criação da série PSI: dirigir, roteirizar, pôr em cena as ficções.

Uma das vias pulsantes neste movimento tem a ver com a psicanálise não em uma exterioridade, mas no mundo. Que Contardo desdobra de muitas formas. Mais vale poder dizer, intervir desde uma posição que não é nunca neutra, descritiva, fora do jogo. Melhor poder escutar a singularidade dos pacientes e ter presente que a prática e as concepções que a regem têm a ver com seu tempo e seu quadro discursivo.

Contardo, um viajante; marca em sua trajetória, no melhor estilo do sense of place de Wim Wenders: não o encontro com o outro pelo exotismo que a diferença poderia evocar, mas pelo interesse genuíno por como se vive e se lida com os enigmas. Vida, morte, conflitos, paixões, a relação com o outro e com a Pólis. Questão clínica por excelência. Poder se dispor ao lugar que o analisante oferece na transferência, para desde aí operar abertura de espaço, permitir algo das separações do que se carrega de alienante, criar possibilidades para o enlace de gozo com desejo. Contardo, neste sentido, “irreverente”, a coragem das suas ideias, a presença que acentua a experiência da vida em andamento. Quando nas crônicas, faz linha transversa pela herança de Montaigne, na abertura dos ensaios – em sua dimensão de narração, de implicação e risco do lado de quem escreve, e que anima a invenção de uma prática discursiva no social. Também encontro com o real de nosso tempo e das inquietações que nos atravessam.

*As perguntas enviadas pelo público podem ser editadas, pois questionamentos muitos longos tendem a não ser compreendidos pelo conferencista no processo de tradução (que acontece ao vivo, durante o evento, feito pelo tradutor direto nos fones de ouvido).

**Psicanalista, membro da APPOA (Associação Psicanalítica de Porto Alegre) e doutora em Literatura pela UFRGS. Texto originalmente escrito para a Revista Fronteiras do Pensamento 2019




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