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Nesta quarta-feira (9), a partir das 20h, acontece a última conferência do Fronteiras do Pensamento 2020, com a escritora Isabela FigueiredoUm dos maiores nomes da literatura portuguesa contemporânea, Isabela é filha de pais colonizadores. Nasceu em Moçambique e voltou para Portugal em 1975 na condição de retornada. Sua trajetória é tema do romance autobiográfico “Caderno de memórias coloniais”, publicado em 2009, no qual evidencia a sociedade colonialista da época e a mentalidade de seu pai, considerado racista. 

Envie suas perguntas para Isabela Figueiredo pelo e-mail digital@fronteiras.com ou por mensagem via Facebook ou Instagram. A escritora responderá as questões selecionadas durante a transmissão ao vivo na conferência desta quarta-feira (9/12). Divulgaremos as respostas nos dias posteriores ao evento, em nossos canais digitais, oferecidos pela Braskem.

É autora, também, do romance “A gorda”, publicado em 2016, sucesso de público e de crítica, em que explora as questões de autoimagem e preconceito. Isabela emagreceu 40 quilos e, a partir de sua própria história, ela fala sobre identidade, gênero, sexo, padrões estéticos e relações sociais, misturando ficção e realidade.  O livro abre espaço para o tema da gordofobia e das ideias distorcidas de que todo mundo pode emagrecer.  

>> Leia também: Racismo e opressão sob a ótica de Isabela Figueiredo

Isabela Figueiredo é licenciada em Línguas e Literatura Lusófonas pela Universidade Nova de Lisboa, possui especialização em Estudos de Gênero pela Universidade Aberta de Lisboa e já atuou como jornalista e professora.

A seguir, você confere um trecho das Palavras Prévias da obra “Caderno de memórias coloniais”:

“Após a publicação de Caderno de memórias coloniais, em 2009, muitos filhos e netos de retornados me diziam que os familiares não falavam sobre o assunto fora de casa, e, mesmo aí, consideravam que esses assuntos eram delicados.

A minha perplexidade, pré e pós caderno, continua a bater no mesmo ponto da “intriga pós-colonial”: se todos vivemos o mesmo, no mesmo local e época, como posso só eu ter visto e sentido o que escapou aos outros? Porque foi escolha minha, prioritária, lembrá-lo?

O Caderno de memórias coloniais relata a história de uma menina a caminho da adolescência, que viveu essa fase da vida no período tumultuoso do final do Império colonial português. O cenário é a cidade de Lourenço Marques, hoje Maputo, espaço no qual se movem as duas personagens em luta: pai e filha. São símbolos de um velho e de um novo poder; de um velho mundo que chegou ao fim, confrontado por uma nova era que desponta e exige explicações. A guerra dos mundos em 1970.

Mas o Caderno transcende as questões de poder colonial, racial, social e de género, transformando-se, também, numa narrativa de amor filial conturbado e indestrutível. Segue o percurso sensual e iniciático da menina que descobre o seu corpo e os alheios. É uma história de perda, na qual uma rapariga cujo percurso autónomo se adivinha, sente e mostra a necessidade de desenvolver a resistência máxima, e de crescer depressa, para garantir a sobrevivência, testada ao atravessar a realidade hostil da colonização e da descolonização, primeiro em Moçambique, depois em Portugal, para onde é enviada sozinha.

Estamos perante a fabricação de uma identidade nacional indefinida, desterritorializada, do domínio dos exílios e desterros.”