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Com os olhos voltados para o vasto espaço acima de nós, o trabalho de Janna Levin busca compreender os buracos negros e as ondas gravitacionais no espaço-tempo. Professora de física e astronomia, a chave de sua pesquisa é nada menos do que compreender o início de tudo.

Levin é formada em física e astronomia pela Universidade de Columbia, onde leciona atualmente, e Ph.D em física teórica pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Sua didática para falar sobre temas de difícil apreensão transformaram Janna Levin em uma cientista pop, cujos livros são vendidos para os mais diferentes públicos.

Ainda, a levaram ao cargo de Diretora de Ciência de um centro cultural em Nova York, o Pioneer Works, que mescla diversos campos do pensamento para estimular a curiosidade humana. Por lá, no Pioneer Works, Janna Levin já entrevistou nomes como Richard Dawkins e Rai Weiss.

Por aqui, no palco do Fronteiras, ela vem desvendar a relação entre o homem e o universo.

Janna Levin vem ao Fronteiras do Pensamento nos dias 02/9 (POA) e 04/9 (SP). Garanta sua participação nos próximos eventos. Além de Levin, o Fronteiras do Pensamento  ainda receberá Werner Herzog, Contardo Calligaris e Luc Ferry.

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ENVIE SUA PERGUNTA | Mande suas questões para Janna Levin através do e-mail digital@fronteiras.com ou comente-as em nossa página do Facebook. A professora responderá as questões selecionadas diretamente do projeto nas capitais gaúcha e paulista. Divulgaremos as respostas nos dias posteriores aos eventos, em nossos canais digitais, oferecidos pela Braskem.

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CONHEÇA JANNA LEVIN | Em entrevista ao Big History, Janna Levin mostra o que queremos dizer com uma didática incomparável. Ela explica nada menos do que é astrofísica para nós, mortais.

Se você não se interessava sobre astrofísica, esta é a hora de mudar seu posicionamento. Leia e assista abaixo à fala de Janna Levin, próxima conferencista do Fronteiras do Pensamento 2019.


Eu sou Janna Levin e sou professora de física e de astronomia na Barnard College e na Universidade de Columbia. Eu estudo astrofísica. 

A astrofísica está embasada na física, no estudo das leis da física, e em como a matemática descreve os fenômenos e as leis naturais. Mas, tudo isso aplicado ao universo como um todo - não apenas as coisas nele, as estrelas, as galáxias, as coisas que nós observamos a partir de grandes distâncias - mas como também o espaço. O espaço, o tempo e como o espaço-tempo evoluiu e até mesmo como universo começou e foi criado. Então, a astrofísica tem esse contexto muito bonito, de estudar a física e as leis naturais fundamentais.

Existe um tipo de distinção entre as pessoas que estudam física: são os experimentalistas, os observadores e os teóricos.

Experimentalistas constroem coisas para tentar fazer deduções, para confirmar e reunir evidências.

Observadores frequentemente utilizam ferramentas como telescópios para olhar para o céu e, com esperança, receber alguma coisa do cosmos que é nova e nunca foi vista antes.

Teóricos, como eu, usualmente se sentam quietinhos com uma caneta e um papel, talvez um computador, e usam a matemática para tentar fazer descobertas, conversar com os observadores e fazer sugestões para aquilo que eles devem buscar.

Claro, há aqueles que fazem as três coisas, que combinam todas essas habilidades. Mas, existe um diálogo real entre fazer a parte matemática, fazer a previsão e ir até os observadores, que fazem a observação factual ou constroem um experimento.

Às vezes, descobertas que nós não conseguimos prever são feitas com telescópios. Daí, precisamos voltar para nossa caneta e papel e descobrir o que perdemos, como não conseguimos prever este fenômeno. Geralmente, é exatamente isso que acontece. Tentamos entender algo que vimos neste mundo mas que ainda não compreendemos completamente.

Acabei percebendo que a astrofísica era um campo belíssimo um tanto quanto tarde. Eu não tinha interesse na física quando era estudante. Eu não era uma dessas crianças no porão com um kit de ciências. Eu não entendia ou sequer apreciava o quão elegante e bonita a ciência era. 

Não direi que tinha medo da matemática, mas eu não reconhecia o quão rica ela era. Eu só compreendi isso mais tarde, que a matemática é um presente que nos conecta, que nos conecta com o mundo natural. Compreendi que, de alguma forma, através da matemática, somos capazes de entender os fenômenos naturais e que isso funciona da mesma forma em qualquer parte do mundo ou até do universo - você sabe, 1 + 1 = 2 sempre. Então, há algo que nos conecta e que é realmente importante.

Quando descobri tudo isso na faculdade, eu me apaixonei completamente pela física, matemática e astronomia. Comecei a estudar astrofísica e, agora, trabalho em questões como "como universo começou?", "como ele está evoluindo?", "quantas dimensões existem?", "existem mais do que três dimensões no universo?", "do que é feito o universo?"

As questões atuais mais importantes parecem ser voltadas à tentativa de compreender do que o universo é feito. Descobrimos que a maior parte do universo está em uma forma de matéria e energia que nós nunca vimos antes, porque é realmente escura e não conseguimos vê-la com nossos telescópios. Mas, sabemos que ela está lá fora, porque nós conseguimos enxergar o efeito dela nas galáxias e na expansão do universo.

Nós deduzimos que esta energia, esta matéria está lá fora, mas de forma surpreendente: não tem nada a ver com o tipo de matéria que nós já conhecíamos.

Esta é uma grande questão. Ela nos diz que, estudando astrofísica, nós estamos aprendendo sobre os princípios mais profundos da natureza, que são fundamentais para entender como o universo começou e se desenvolveu.