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“O ódio é a pior das prisões. O grande desafio no combate contra entidades ou sistemas totalitários, quaisquer que eles sejam, do regime angolano ao fundamentalismo islâmico, consiste em nunca nos deixarmos contaminar pela escuridão. Em não nos transformarmos naqueles que combatemos.” - José Eduardo Agualusa

José Eduardo Agualusa é pioneiro em um tipo de ativismo inovador, que revela a tragédia de seu país: o ativismo pelo sonho. Em uma realidade dilacerada por décadas de ditadura, em que o otimismo é o último recurso para prosseguir, os angolanos precisam voltar a sonhar, defende o premiado autor.

Um dos mais importantes escritores em língua portuguesa da atualidade, Agualusa é conhecido por reunir realidade e ficção em tramas que ora denunciam questões sociais ora celebram a capacidade humana de inventar universos. Ele faz de suas obras portas para a liberdade de expressão - e de transformação -, convidando seus leitores a resistirem frente à realidade e insistirem no sonho de uma nova vida.

José Eduardo Agualusa é o próximo conferencista do Fronteiras do Pensamento Porto Alegre. O escritor vem ao projeto trazer importantes lições para os brasileiros: como reaprender a acreditar e a lutar por profundas transformações.

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A violência gera tensões entre memória e identidade, que viram narrativas de transformação nas mãos de José Eduardo Agualusa. Quem fomos até aqui e quem queremos (ou podemos) ser?

Envie sua pergunta para o escritor através do e-mail digital@fronteiras.com até o dia 01 de agosto (Salvador) e 06 de agosto (Porto Alegre). As questões selecionadas serão respondidas diretamente dos eventos. Divulgaremos as respostas nos dias seguintes às conferências.

Ao entrar em contato com a literatura do escritor angolano José Eduardo Agualusa, o público brasileiro poderá ter acesso a outra visão literária da contemporaneidade. Poderá experienciar não mais a visão eurocentrada, mas uma cosmovisão pós-colonial profunda e esteticamente bem elaborada. Pode-se dizer que as ideias submersas nos romances de Agualusa são, em sua grande maioria, aquelas que procuram desestabilizar as identidades africanas fixadas pelo Ocidente. Ideias que no mínimo frustram o pensamento colonial.

Agualusa pertence a uma geração que sofreu com as guerras pela independência e depois com as guerras civis que se sucederam até 2002. É natural que o jogo de forças entre a memória e a identidade estabeleça uma tensão interpretativa em sua obra.

José Eduardo Agualusa tornou-se um dos mais importantes escritores das literaturas luso-africanas contemporâneas. Filho de pais portugueses, teve sua formação acadêmica em Portugal. O primeiro livro publicado veio com A Conjura (1988), agraciado com o Prêmio Revelação Sonangol. A partir de então, Agualusa constrói uma carreira literária consistente entre romances, contos e peças teatrais. Em 2016, o livro Teoria Geral do Esquecimento torna-se um dos finalistas do Prêmio Man Booker International.

Seria uma tarefa difícil apontar em qual ou em quais livros Agualusa representa melhor as questões identitárias. No entanto, a obra O Vendedor de Passados (2004) evidencia a discussão oriunda do processo doloroso de descolonização sem, com isso, perder de vista o senso crítico. O personagem Félix Ventura, um homem albino, vende passados falsos, isto é, Félix inventa um passado glorioso, com ancestrais importantes para burgueses angolanos.

Por outro lado, é interessante notar que, no fim das contas, a obra nos revela que o passado não pode ser vendido, porque a memória evocada pela literatura é sempre restauradora. A literatura atualiza as raízes sem fechá-las em si mesmas. Para Agualusa, a memória é uma espécie de rio adormecido.

Podemos pensar que o conjunto de sua obra se propõe a debater a construção identitária de um país. Nesse sentido, Agualusa convida o leitor a penetrar numa outra dimensão humana, capaz de dialogar com a globalização e seus efeitos. Sua literatura promove a diluição das fronteiras entre o eu e o outro e, dessa forma, provoca importantes reflexões sobre o sujeito contemporâneo.

- Por Jeferson Tenório, escritor e doutorando em Teoria Literária pela PUCRS | para Revista Fronteiras ZH -

José Eduardo Agualusa

José Eduardo Agualusa, um dos mais importantes escritores em língua portuguesa da atualidade, é pioneiro em um tipo de ativismo inovador, que revela a tragédia de seu país: o ativismo pelo sonho.

Em uma realidade dilacerada por uma ditadura de décadas, em que o otimismo é o último recurso para prosseguir, as pessoas precisam voltar a sonhar, defende o escritor, mundialmente conhecido por reunir realidade e ficção em tramas que ora denunciam questões sociais ora celebram a capacidade humana de inventar universo.

José Eduardo Agualusa é o próximo conferencista do Fronteiras do Pensamento. Baixe o libreto gratuito do conferencista.