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Envie sua pergunta para Peter Sloterdijk

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Peter Sloterdijk é um filósofo com uma obra imensa que dialoga com os temas da atualidade. Esse diálogo nem sempre é pacífico, ao contrário, geralmente é polêmico.

O impacto dessas polêmicas revela dois aspectos importantes: o efeito em profundidade causado pelo eixo teórico que o filósofo assumiu e o simples fato de vivermos em uma época de transformações, grande parte delas devido ao desenvolvimento tecnológico. Sloterdijk é um autor que enfrenta temas contemporâneos.*

Peter Sloterdijk é o próximo conferencista do Fronteiras do Pensamento (Porto Alegre, 03/10; São Paulo, 05/10). Envie sua Pergunta Braskem para o filósofo através do e-mail digital@fronteiras.com até a manhã de quarta-feira (05/10). Sloterdijk responderá a pergunta selecionada do palco do projeto. A resposta será divulgada em nossos canais na quinta, 06.

Natural de Karlsruhe, Sloterdijk estudou Filosofia, Filologia Germânica e História em Munique e Hamburgo, concluindo sua tese de mestrado sobre O estruturalismo como hermenêutica política, em 1971. Cinco anos mais tarde, defenderia seu doutorado em Hamburgo, com uma dissertação sobre Literatura e organização sobre experiência de vida.

No fim dos anos 70, Sloterdijk passou dois anos na Índia, um período que deixou “consequências irreversíveis", segundo o próprio filósofo. A viagem lhe deu o poder criativo para conviver com os desdobramentos ambíguos da vida. No país, aprendeu as técnicas de apresentação de paradoxos e contradições para ajudar os indivíduos a superarem o distanciamento da crítica e a transformarem suas capacidades.

Ciência feliz

Chamado pelo diário Die Welt de "mestre da ciência feliz", Sloterdijk se tornou conhecido do público a partir da publicação de Crítica da razão cínica (1983) – a obra filosófica mais vendida na Alemanha do pós-guerra.

Seu suposto protesto contra o cinismo, definido como "falsa consciência esclarecida", levou o autor a observações amargas sobre a sociedade de consumo e informação. Em termos gerais, Sloterdijk trata de dois significados de cinismo: o primeiro remete a Diógenes e representa um modo de vida na filosofia e na ação, que busca a união com a natureza e o rompimento com os costumes; e o segundo, contemporâneo, que expressa crenças sarcásticas sobre a razão humana e que, portanto, não leva a vida a sério. Este segundo sentido, diz Sloterdijk, é sintoma de uma sociedade destituída de significado ou até mesmo da esperança de encontrar algum significado.

Filosofia "sem dedo em riste"

Em 2002, o filósofo estreou um programa na televisão estatal alemã ZDF, o Philosophisches Quartett (Quarteto Filosófico), com o qual pretendia levar adiante "uma filosofia sem dedo em riste". Sloterdijk ficou 10 anos no ar, até 2012, ao lado do colega Rüdiger Safranski, com quem abordava temas filosóficos e assuntos movimentados pela opinião pública.

Desconstrução da teoria psicanalítica

Na obra Ira e tempo, um tratado "político-psicológico", Sloterdijk analisa a cultura ocidental a partir da ideia da ira, considerada pelo autor "o motor real da história". O volume, que inicia com uma reflexão sobre a Ilíada, epopeia constituída em função da ira de Aquiles, opõe-se à teoria psicanalítica ao desconstruir a pulsão de morte, situando Eros no mesmo patamar de Thymos – para os gregos, responsável pelo arrebatamento da ira.

Uma vida de exercícios: a antropotécnica de Peter Sloterdijk

Sloterdijk, nos ensina o professor Itamar Soares Veiga em artigo exclusivo*, parte da concepção de que devemos nos exercitar para satisfazer uma tensão vertical, o impulso humano de superar a si mesmo, e, assim, transformar o mundo. Esta transformação depende mais de uma antropotécnica possível do que uma antropologia filosófica. Diante de novos tempos, não bastariam a leitura e as regras educativas do mundo iluminista. A antropotécnica deve ser pensada e colocada em curso, orientando-se por uma prática de exercícios de ascese. Diante desse contexto, o autor adverte:

“Formas velhas devem ser examinadas, referente à sua reutilização, novas formas devem ser inventadas. Um novo ciclo de secessões deve começar, para tirar os homens novamente – se não do mundo – do embotamento, da depressão, do fanatismo, mas acima de tudo da banalidade."

*Leia o artigo Nietzsche, a tensão vertical e o homem segundo Sloterdijk, de Itamar Soares da Veiga, no libreto preparatório para a conferência com Peter Sloterdijk. O libreto também contém breve biografia do filósofo, indicação de livros, ideias da intelectual, links para entrevistas e vídeos.